Ministro do Ambiente desvaloriza paragens em reatores de central nuclear de Almaraz

Pedro Matos Fernandes garante que as duas paragens imprevistas dos reatores "não têm significado em termos de segurança nem impacto nos trabalhadores, na população ou no ambiente".

O ministro do Ambiente e Ação Climática desvalorizou esta quarta-feira os problemas que levaram a paragens duas vezes numa semana dos reatores da central nuclear espanhola de Almaraz, que poderá continuar a funcionar até 2028.

Numa audição na Comissão Parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, João Pedro Matos Fernandes, assegurou que Almaraz, situada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, "é uma preocupação de Portugal", cujo Governo defende junto de Espanha que deve haver uma avaliação de impacto ambiental transfronteiriço aos planos de prolongamento de atividade por quase mais 10 anos.

O Conselho de Segurança Nuclear espanhol afirmou que "há condições técnicas" para prolongar a atividade de um dos reatores até 2027 e do outro até 2028, mas "não há ainda uma decisão do Governo espanhol", revelou o ministro.

João Pedro Matos Fernandes afirmou que as duas paragens imprevistas dos reatores, uma a 22 e outra a 27 de junho, se deveram a "pequenos desvios aos parâmetros de operação" e "não têm significado em termos de segurança nem impacto nos trabalhadores, na população ou no ambiente".

Foram essas paragens que levaram PAN e Verdes a chamar o ministro à comissão, onde Matos Fernandes reforçou que "não houve nem incidentes nem acidentes em Almaraz".

Na paragem do reator 01, em 22 de junho, um mecanismo de segurança elétrica disparou depois de uma recarga de combustível e na do reator 02, a 27, um dos sistemas de proteção foi acionado e fez parar o funcionamento.

Ambos foram classificados pelo Conselho de Segurança Nuclear espanhol como "eventos de nível 0" numa escala de gravidade que vai até ao nível sete, e "surgem com alguma frequência durante o ciclo de vida de uma central nuclear", afirmou, acrescentando que Espanha não tinha obrigação de dar "informação detalhada", mas fê-lo.

"De acordo com o Plano Nacional Integrado de Energia e Clima de Espanha, foi decidido o encerramento de todas as centrais nucleares espanholas de uma forma faseada, entre 2025 e 2035" e Almaraz, há que está a funcionar há mais tempo, poderá ser a primeira a fechar definitivamente, em 2028.

O deputado do Bloco de Esquerda Nelson Peralta lamentou que "o Governo desista de defender o encerramento em 2020" de Almaraz, salientando que além do perigo ambiental de manter uma "central obsoleta" a funcionar, cada ano de funcionamento significa "dinheiro no bolso" para as empresas que são donas da central, como a Iberdrola ou a Endesa.

A comunista Alma Rivera afirmou que se "impõe outra posição e outra firmeza" do Governo português na defesa do encerramento da central, lembrando que se os acontecimentos de junho não foram dos mais graves, "o último acidente grave" em Almaraz aconteceu apenas há três anos.

A deputada dos Verdes Mariana Silva salientou que em caso de um acidente grave, Portugal pode ser afetado por contaminação das águas do Tejo, usadas na refrigeração dos reatores ou por contaminação atmosférica, sobretudo os distritos fronteiriços de Castelo Branco e Portalegre.

André Silva, do PAN, ressalvou que a classificação dada às paragens de junho é provisória e que no que toca a Almaraz, e que quando o ministro português fala com o governo espanhol, "dança a música que eles lhe dão".

A social-democrata Cláudia André reiterou que manter Almaraz a funcionar é "uma ameaça à segurança das populações" e que a realidade de 2010, data inicialmente prevista para o seu encerramento "não melhorou", fazendo com que a central seja "um perigo incompatível com conformismos.

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