Misericórdias juntam-se a processo crime sobre reconstrução de casas em Pedrógão

Ministério Público defende que várias entidades, entre elas a União das Misericórdias, foram enganadas por dois autarcas de Pedrógão Grande. Também a Cruz Vermelha deverá ser assistente no processo judicial.

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) vai constituir-se como assistente no processo crime sobre a reconstrução de casas em Pedrógão Grande depois do devastador incêndio de junho de 2017.

A confirmação é avançada à TSF pelo presidente da UMP, mas esta não deverá ser a única entidade alegadamente enganada, segundo a acusação do Ministério Público, a querer fazer parte do processo.

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, confirma que foram contactados pelo Ministério Público estando a avaliar o que fazer a seguir sendo que em princípio também serão assistentes.

Do lado do Estado, o Fundo de Apoio às Populações e à Revitalização das Áreas Afetadas pelos incêndios (conhecido como REVITA) também adianta à TSF que já foi notificado da acusação e que está a fazer uma avaliação jurídica para perceber se avançam como assistentes no processo.

Pela lei penal qualquer pessoa ou entidade que tenha sido vítima de um crime pode constituir-se assistente se quiser ter poderes que lhe permitam intervir diretamente no andamento do processo, nomeadamente, entre outras formas, oferecendo provas, requerendo diligências, interpondo recursos de decisões que o afetem ou participando no julgamento.

A acusação do Ministério Público

Recorde-se que a tese do Ministério Público é que o presidente da Câmara de Pedrógão Grande e um ex-vereador enganaram de forma propositada a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, mas também a Cruz Vermelha Portuguesa, a União das Misericórdias Portuguesas e a Fundação Calouste Gulbenkian que financiaram grande parte das obras que não deviam ter sido feitas em segundas habitações ou antigas ruínas.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas explica que foram informados pelo Ministério Público que este considera que foram enganados e perguntando se querem fazer alguma coisa.

"Obviamente", perante isto, explica Manuel Lemos, "temos de nos constituir como assistentes para acompanharmos o processo pois as recuperações que fizemos de casas foram feitas com dinheiro de doações dos portugueses, nomeadamente do famoso espetáculo Juntos por Todos no Meo Arena".

"Se algo foi mal gasto e nós fomos enganados é preciso saber onde, quando e como", afirma o representante das misericórdias que admite que ficou surpreendido com a acusação do Ministério Público apesar de "quem andava no terreno ir relatando coisas que corriam menos bem".

Com cerca de 1,6 milhões de euros de fundos, a União das Misericórdias Portuguesas foi a entidade privada que mais dinheiro recebeu em doações dos portugueses depois do fogo que devastou Pedrógão Grande e vários concelhos vizinhos a 17 de junho de 2017.

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