Morreu o ator e encenador Jorge Silva Melo

Jorge Silva Melo morreu aos 73 anos e estava internado no Hospital da Luz.

Tradutor, dramaturgo, crítico de teatro e cineasta, Jorge Silva Melo morreu na noite desta segunda-feira, aos 73 anos, no Hospital da Luz, em Lisboa, vítima de doença oncológica, anunciou a companhia Artistas Unidos, que dirigia.

Em declarações à TSF, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, fala num "vazio" perante a morte de Jorge Silva Melo, que deixa uma marca "inapagável".

Graça Fonseca considera que o artista foi uma inspiração para as gerações mais jovens.

A ministra reagiu também nas redes sociais à morte do ator e encenador : "Serviu a liberdade, dedicou toda a sua energia ao teatro e ao cinema, viveu sempre sob o lema do amor e do respeito pelo outro. Criou histórias, construiu espaços, ergueu atrizes e atores, levantou companhias. Hoje, no dia em que nos deixa, lamentamos a sua morte e celebramos a sua vida. Obrigado, Jorge Silva Melo."

António Costa usou o Twitter para homenagear Jorge Silva Melo: "A intervenção artística de Jorge Silva Melo foi pautada por um espírito jovem. Fez parte da geração que renovou o teatro português no pós-25 de Abril, apostou permanentemente em jovens atores, revelou e pôs em cena autores contemporâneos. A sua morte deixa uma tristeza enorme.", escreveu o primeiro-ministro.

À TSF, o encenador João Mota, antigo diretor do Teatro D. Maria II, lembra uma "pessoa muito culta, interessada e que escrevia bem" e descreveu Jorge Silva Melo como "uma pessoa maravilhosa", que conheceu desde os primeiros tempos do teatro da Cornucópia.

O pianista Nuno Vieira de Almeida foi um dos primeiros a reagir à morte do ator e considerou Jorge Silva Melo "um dos grandes, dos que mais fez durante décadas a fio, escrevendo, encenando, ensinando, filmando, representando, deixou-nos hoje". "Muito se dirá amanhã sobre ele, por quem esteja mais bem preparado para o fazer do que eu. Eu estou apenas triste. Este início de ano com mortes sucessivas, guerra, solidão, tem sido devastador", concluiu o músico.

Nascido em Lisboa, a 7 de agosto de 1948, Silva Melo fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79), e fundou em 1995 a companhia Artistas Unidos, de que era diretor artístico.

Estudou na London Film School, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e estagiou em Berlim junto do encenador Peter Stein, e em Milão com Giorgio Strehler.

Foi autor das peças "Seis Rapazes Três Raparigas", "O Fim ou Tende Misericórdia de Nós", "Prometeu" e "O Navio dos Negros", entre outras.

No cinema, realizou longas-metragens como "Agosto, "Coitado do Jorge", "Ninguém Duas Vezes" e "António, Um Rapaz de Lisboa", além de documentários sobre arte e a vida de artistas plásticos, como Nikias Skapinakis, Fernando Lemos e Ângelo de Sousa.

Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.

Notícia atualizada às 10h19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de