Mulher de Rendeiro tem cinco dias para entregar obras de arte em falta

Em causa estão 15 obras de arte apreendidas em 2010, mas que nas últimas diligências não foram encontradas.

A mulher do ex-banqueiro João Rendeiro será interrogada na próxima sexta-feira pelo tribunal e tem até quarta-feira para entregar à PJ 15 obras de arte apreendidas em 2010 e que em recente diligência não foram encontradas.

Segundo um despacho da juíza, a que a agência Lusa teve hoje acesso, Maria de Jesus da Silva de Matos Rendeiro tem cinco dias para entregar à Polícia Judiciária 15 objetos [obras de arte] apreendidos em novembro de 2010 e que em diligência realizada no início desta esta semana à sua casa, na quinta patinõ, "não foram localizados".

A entrega dos bens justifica-se de forma premente, alega a juíza, sobretudo "pelo risco que constitui para a manutenção das garantias subjacentes à apreensão a recente indiciação de que três dos objetos apreendidos foram, entretanto, falsificados".

O tribunal entende que, sendo Maria de Jesus Rendeiro a fiel depositária dos bens penhorados, deverá esclarecer a situação, estando o seu interrogatório marcado para a próxima sexta-feira.

Nesta diligência vai participar o Ministério Público e o assistente [credores do BPP].

João Rendeiro, que em 28 de setembro foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta, fugido à justiça.

Num requerimento entregue ao tribunal na passada segunda-feira a mulher de João Rendeiro informou já ter localizado "cerca de metade das obras não encontradas" pela PJ quando esta polícia se deslocou à sua residência no dia 11 para recolher as obras penhoradas.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como um outro processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

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