Murros, pontapés e insultos. Filas à porta das conservatórias resultam em violência

Os trabalhadores dos registos e notariado não têm mãos a medir e as filas longas para os serviços já resultaram em insultos e agressões.

Com o regresso do atendimento presencial, os utentes acumulam-se à porta das conservatórias, porque os trabalhadores têm de atender primeiro aqueles que fizeram marcação. As filas à porta dos serviços públicos estão a provocar muita frustração, o que já levou a agressões aos trabalhadores, como conta à TSF Arménio Maximino, presidente do Sindicatos dos Trabalhadores dos Registos e Notariado.

"Tem havido até alguma escalada de violência na Amadora, por exemplo, no Barreiro. Quando os colegas abrem a porta para darem atendimento às pessoas que têm agendamento, há um sem número de pessoas que se junta à porta das conservatórias e querem ser atendidas, e, quando é explicado que não têm possibilidade, que têm todo o atendimento ocupado com agendamento, as pessoas revoltam-se e descarregam toda a sua frustração nas pessoas, insultando-as. Houve situações em que houve murros e pontapés nas portas. Quando as pessoas abriram a porta, forçaram a entrada, envolveram os colegas, murros. Houve colegas que foram agredidos fisicamente", sustenta.

Os trabalhadores dos registos e notariado não têm mãos a medir. Arménio Maximino deixa, por isso, uma recomendação aos utentes: não se dirijam aos serviços sem marcação.

"Claro que haverá questões urgentes que as pessoas terão de resolver, mas aí terão de perceber que, nas conservatórias, aqueles trabalhadores que lá estão não têm culpa desta situação. A culpa é única e exclusivamente do Governo", acrescenta o sindicalista, que atira responsabilidades ao Executivo por não garantir a contratação de mais trabalhadores.

Arménio Maximino fala numa rutura total e teme que algumas conservatórias tenham de fechar portas: "Temos um deficit de 1756 trabalhadores, isto corresponde a mais de 30% do efetivo. Portanto, a grande razão de os serviços estarem neste caos, em rutura completa, de não conseguirem dar resposta às necessidades dos cidadãos é a falta de recursos humanos. Há mais de 20 anos que não entra um único novo trabalhador".

Mesmo com a abertura de um concurso, o sindicato olha com reservas para o futuro: "Abrindo o concurso e sendo carreiras especiais, serão necessários, pelo menos, dois anos até termos as pessoas prontas a prestar e a desempenhar as suas funções. Aquilo que nós tememos é que, num futuro muito próximo, possa acontecer aquilo que aconteceu há dois anos na ilha do Corvo, que esteve encerrada seis meses por falta de trabalhadores. Tememos que este encerramento de serviços se possa estender e possa começar a acontecer em várias localidades do país".

O secretário-geral da FESAP - Frente Sindical da Administração Pública confirma as filas crescentes à porta dos serviços públicos. José Abraão explica que se trata de um problema recorrente, agora agravado com os pedidos dos emigrantes em tempo de pandemia.

"É um problema antigo, agora agravado por esta situação da pandemia. Era preciso reforçar os serviços, que o Governo e, particularmente, o Ministério das Finanças olhassem para toda esta situação e fossem dotando os serviços de um número bastante de recursos humanos, de pessoas, para que os atendimentos pudessem ser feitos e para que os serviços pudessem ser prestados aos cidadãos com a maior normalidade possível", remata.

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