Museu de Braga inaugura exposição de 300 obras doadas por casal alemão

Doação representa uma espécie de euromilhões que saiu ao Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa.

O Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, inaugura esta quinta-feira a exposição da coleção Bühler-Brockhaus, que reúne perto de 300 obras da antiguidade clássica, doadas por um casal alemão residente em Portugal.

Além desta doação, o casal de mecenas financiou também com 410 mil euros as obras de requalificação de um novo espaço expositivo totalmente dedicado à coleção que a partir de hoje passa a estar aos olhos do público.

Esta doação representa uma espécie de euromilhões que saiu ao Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. "É mais do que isso porque para além do valor intrínseco e patrimonial das peças é também um legado de afeto. E isso não tem preço", reconhece Isabel Silva, diretora do museu dedicado aos períodos desde o Paleolítico até à Idade Média, com especial relevo para o espólio proveniente da cidade romana de Bracara Augusta.

Este legado de cerca de 300 peças foi construído ao longo da vida por um casal alemão a viver em Portugal, que em 2018 procurava cumprir o desejo de encontrar um museu onde pudesse expor a coleção. "Esse casal veio visitar-nos e a partir daí gerou-se este diálogo que terminou na doação desta coleção", revelou a mesma responsável.

Colecionadores de arte, Marion Brockhaus e o marido Hans-Peter Bühler preferem manter-se discretos para dar antes brilho às obras de arte que agora doaram, entre elas uma de particular interesse para a antiga cidade de Bracara Augusta. "Este busto do Imperador Augusto tem para nós um significado simbólico muito especial até porque o casal teve que desenvolver uma longa negociação para o adquirir para o museu com este propósito de doar à cidade o símbolo da sua fundação", destaca Isabel Silva.

Da coleção Bühler-Brockhaus faz parte um vasto leque de objetos de diversas proveniências e cronologias, na sua maioria dos mundos egípcio, grego, etrusco e romano. Entre as obras expostas encontram-se esculturas em mármore, mosaicos romanos, vasos cerâmicos gregos e etruscos, unguentários romanos em vidro, utensílios do quotidiano e adornos em bronze e metais nobres. Entre as dezenas de objetos encontram-se algumas peças de grande raridade, como é o caso de um cálice etrusco, "até ver peça única" no mundo.

Algumas destas peças viajam há quase 5 mil anos, de um período que "antecede a ocupação mais antiga deste território atlântico e que constitui o cerne da nossa coleção permanente inicial. Portanto, há aqui um diálogo entre a periferia que de alguma forma simbolizamos e o berço da cultura clássica traduzida nesta coleção do mundo mediterrâneo", descreve Isabel Silva.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de