Na situação "dramática" de Portugal, é preciso "ponderar" proibição de máscaras comunitárias

Especialistas detalham diferenças entre diferentes tipos de máscaras, mas avisam que "super-máscaras" não são solução milagrosa.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende que vale a pena "ponderar" proibir o uso de máscaras comunitárias em locais públicos, substituindo-as, em alternativa, por máscaras cirúrgicas.

O presidente da sociedade, António Morais, diz à TSF que estas últimas máscaras - também conhecidas como FFP1 - são claramente mais seguras e que no atual contexto pode fazer sentido mudar as regras.

"As questões das máscaras comunitárias são várias e muito variadas e não tenho a certeza que estejam todas certificadas, pelo que não conseguimos ter uma garantia de segurança, nomeadamente quando o vírus anda mais disseminado na comunidade e com estirpes de mais fácil disseminação [como as que têm origem no Reino Unido ou na África do Sul]", detalha António Morais.

O representante dos pneumologistas admite que é preciso colocar a questão e saber se vale a pena obrigar a que as máscaras cirúrgicas sejam usadas na rua ou nas idas ao supermercado pois "seriam uma garantia maior de proteção", algo ainda mais importante de "ponderar" numa "situação dramática" como aquela que Portugal vive.

António Morais está convencido que agora - ao contrário do que aconteceu nos primeiros meses da pandemia - já há capacidade de produção para usarmos máscaras cirúrgicas no dia a dia, convicção que levanta dúvidas ao presidente de outra sociedade científica.

Há tantas máscaras para tanta gente?

Do lado da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão refere que é preciso avaliar bem o assunto pois quer as FFP1 quer as FFP2 - máscaras com filtro, ainda mais seguras que as máscaras cirúrgicas - são mais eficazes que as máscaras comunitárias, mas teme que não exista capacidade de produção para um uso massificado por todos.

"Eu, por exemplo, trabalho num hospital e não uso FFP2 a não ser quando vou a um local de maior risco. Devo deixar as FFP2 para os colegas e outros profissionais de saúde que necessitam destas máscaras", refere o especialista que diz, contudo, que para as máscaras cirúrgicas simples (FFP1) talvez exista essa capacidade de produção.

O representante dos virologistas defende que mais que o tipo de máscara o mais importante é usar bem as máscaras: "O fundamental, para qualquer variante da Covid-19, é cumprir aquilo que está estabelecido. As pessoas até podem ter uma FFP2, mas se depois a tiram quando estão com a família, estão com os amigos, vão fumar um cigarro ou beber um café - situações com que me deparo com muita frequência no meu dia a dia - não adianta termos super-máscaras", conclui Paulo Paixão.

Nos últimos dias vários países proibiram o uso de máscaras comunitárias em vários espaços públicos, obrigando ao uso de máscaras cirúrgicas ou mesmo, em alguns locais, de máscaras FFP2 - ainda mais seguras - com filtro.

A Ministra da Saúde confirmou na segunda-feira que questionou a Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a necessidade de revisão das medidas de prevenção contra a Covid-19 face à proliferação de novas variantes do vírus SARS-CoV-2 em Portugal.

Marta Temido explicou que "dirigimos uma questão à Direção-Geral da Saúde sobre essas medidas de saúde pública e em que medida podem elas precisar de ser adaptadas. Não há ainda recomendações adicionais concretamente sobre a questão das máscaras ao nível do Centro Europeu de Controlo de Doenças e temos sempre alinhado as nossas posições com as recomendações internacionais. Estamos muito atentos e logo que haja alguma informação que coloque alguma necessidade de adaptação, fá-lo-emos", afirmou.

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