"Não basta estalar os dedos." É impossível criar mais 400 camas de cuidados intensivos em poucos meses

Deputados aprovaram mais 400 novas camas de intensivos, mas colégio da especialidade avisa que não é assim tão simples.

O Parlamento aprovou nos últimos dois dias duas propostas (do PEV e do PCP) para criar mais 400 novas camas de cuidados intensivos em Portugal até 31 de março, mas o presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos diz que esse aumento, face ao que existe hoje, é inviável num prazo tão curto.

José Artur Paiva explica à TSF que "não é possível pois a criação do staff de intensivos demora tempo".

"Para recursos humanos em áreas mais tecnológicas e mais diferenciadas do ponto de vista clínico não basta estalar os dedos para os criar. Há um tempo de maturação do médico e do enfermeiro de intensivos que não é, minimamente, de quatro ou seis", refere.

Preferindo não falar diretamente das propostas votadas no Parlamento, o presidente do colégio e diretor do serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João detalha que aquilo que se tem feito, em resposta à pandemia, é "cessar atividades de outras áreas não prioritárias, como cirurgias, que podem ser diferidas sem prejuízo do resultado clínico, e integrar esses recursos (equipamentos e pessoas) nas equipas de medicina intensiva para, sob a liderança da medicina intensiva, serem capazes de capacitar a resposta da medicina intensiva. No entanto, não podemos chamar a essa tipologia de recursos médicos intensivistas nem enfermeiros de intensivos".

As votações no Parlamento

José Artur Paiva acredita que é possível criar mais 400 camas de intensivos, em Portugal, em poucos meses, mas apenas se a comparação for feita em relação àquilo que existia no início de 2020, antes da pandemia, pois desde essa altura têm existido avanços.

Pelo contrário, se for mais 400 do que existem hoje essa meta é inviável em poucos meses.

A Assembleia da República votou esta terça-feira, sem votos contra, uma proposta do PCP para a criação de 409 novas camas de cuidados intensivos, bem como a contratação de 47 médicos, 626 enfermeiros e 198 assistentes operacionais para a mesma área da saúde, no âmbito da votação do Orçamento do Estado na especialidade.

No dia anterior outra proposta semelhante, do PEV, para a criação de 400 novas camas de cuidados intensivos, foi aprovada com os contra do PS, tendo sido chumbada a proposta para contratar mais recursos humanos.

Ambas as propostas aprovadas preveem a criação das referidas camas de cuidados intensivos até ao final do terceiro trimestre de 2021, ou seja, dentro de pouco mais de quatro meses.

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