"Não é esse pagamento que vai fazer com que nos afastemos da exaustão"

Novo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar recorda que o pagamento de um dia adicional de férias já estava previsto na lei.

O novo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar alerta para o perigo de exaustão dos médicos de família. Nuno Jacinto, eleito no sábado, assume funções a partir de janeiro, sucedendo a Rui Nogueira.

O médico de Elvas recorda que o pagamento de um dia adicional de férias já estava previsto na lei e que não são essas as medidas que fazem falta na atual conjuntura.

"Não é o pagamento desse dia que vai fazer com que consigamos fazer melhor o nosso trabalho, não é esse pagamento que vai fazer com que nos afastemos da exaustão e não é esse pagamento que vai fazer com que tenhamos menos carga assistencial. Aqui não estamos a falar de questões remuneratórias, as pessoas têm o seu limite e quando o atingem muito dificilmente conseguem voltar para trás. Não é bem com este tipo de medidas, que para nós têm pouco impacto", explicou à TSF o médico.

Nuno Jacinto vai dizendo que muitos médicos de família também estão perto do limite.

"Tal como existem medidas destinadas aos hospitais, como a requisição de equipamentos e gestão de serviços, justifica-se que existam medidas para os cuidados de saúde primários, nomeadamente para os médicos de família. Por que não são, por exemplo, criadas equipas específicas para muitas destas tarefas? Equipas específicas para fazerem o atendimento nas áreas dedicadas a doentes respiratórios, equipas específicas para as estruturas de apoio de retaguarda", afirmou o novo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

Os médicos não são técnicos de informática, sublinha o profissional de saúde, para quem também nenhum doente pode ficar para trás, apesar da pandemia.

"Claro que, no meio disto, temos também de estimular muito o contacto telefónico, por e-mail, por videochamada quando é possível e há uma margem grande da nossa população que adere a esses métodos e que se sente confortável também com essas situações. De qualquer forma, nós somos médicos, não somos técnicos de informática", acrescentou Nuno Jacinto.

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