"Não é viável a longo prazo." Consultas a crianças ucranianas no Dona Estefânia sem vagas até final do mês

Em apenas duas semanas, o serviço voluntário do hospital lisboeta já realizou 30 consultas e todas as marcações até ao final do mês de abril estão esgotadas.

Em duas semanas e meia, o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, recebeu 150 chamadas na linha criada para atender crianças e jovens ucranianos, que fugiram à guerra. Foram realizadas 30 consultas presenciais e as marcações já estão esgotadas até ao final do mês. O serviço é feito de forma voluntária, por quase todos os profissionais do hospital, desde médicos, assistentes e administrativos, onde todos eles estão a dar cerca de 10 a 20 horas extraordinárias por mês.

Joana Faustino estava de serviço, na urgência, quando decidiu aceitar o desafio de criar um serviço de assistência às crianças ucranianas. Até ao momento, têm recebido "situações atípicas", diferentes do que o hospital recebe habitualmente, como, por exemplo, uma menina "que fraturou a perna em janeiro e, para fugir aos cordões humanitários, teve de tirar o gesso e chegou aqui sem conseguir andar", explica.

As consultas têm especial atenção para os doentes crónicos. Rosário Perry da Câmara, do Hospital Dona Estefânia, falou do caso de uma criança com diabetes, cuja mãe tinha preocupações sobre o seu estado de saúde, mas relata que "assim que teve acesso ao nosso número de telefone, contactou-nos por forma a continuar o procedimento".

Rita Coelho é uma das pediatras que organiza as consultas para os menores ucranianos e ressalvou a necessidade de se falar da "problemática da integração", porque, durante as consultas, uma criança teve sintomas de dor de barriga e recusa de se deslocar à escola. Para a médica, "este vai ser um desafio para todos que agora ainda vai começar".

Na opinião de Joana Faustino, este projeto é "um tampão até se encontrar uma solução comunitária para triar estas crianças" e, por isso "não é uma solução viável a longo prazo." Por enquanto, o Hospital Dona Estefânia vai dando resposta às crianças refugiadas e até já reforçou o stock de vacinas, a pensar nos menores ucranianos.

As consultas, com a ajuda de um tradutor médico, são demoradas - em média, cerca de uma hora.

O primeiro contacto com este serviço do hospital pediátrico deve ser feito por telefone, para o número 967 059 865.

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