"Não existe uma varinha mágica." Portugal "tem de fazer pela vida" para contrariar crise energética

Com o risco de a Nigéria não cumprir os contratos de fornecimento, António Eloy, em declarações à TSF, afirma que a alternativa é "a "poupança, mais investimento na eficiência energética e mais investimento nas renováveis" porque Portugal, "inevitavelmente, vai ser afetado".

O Coordenador do Observatório Ibérico da Energia alertou, esta terça-feira, para os tempos difíceis que se vão sentir após o ministro do Ambiente ter assumido que existe o risco de a Nigéria, o principal fornecedor de gás natural a Portugal, não cumprir os contratos de fornecimento.

"A Nigéria não é, ao contrário do que as pessoas possam imaginar, um país pacífico", começou por explicar António Eloy. Por isso, atualmente, o coordenador considera que o país "não tem capacidade para um aumento de produção que satisfaça a procura que se está a verificar no mercado internacional", num momento em que ocupou o lugar da Rússia no mercado energético.

Portugal, tendo em conta as dificuldades dos nigerianos, tem "de fazer pela vida, sobretudo porque continua a não haver uma política europeia comum que articule os preços e os fornecimentos" de gás na Europa.

Sobre uma potencial alternativa à Nigéria, António Eloy enumera a "poupança, mais investimento na eficiência energética e mais investimento nas renováveis" porque Portugal, "inevitavelmente, vai ser afetado".

"Quando a procura é muita e a oferta é pouca, só há uma solução: os preços aumentarem", refere Eloy, e, por isso, "é o que vai acontecer, inevitavelmente". O Coordenador do Observatório Ibérico da Energia. diz que não existe "uma varinha mágica" e que todos devem ter consciência e tomar medidas para combater a escassez de gás.

Com a subida do preço do gás, segue-se a subida da eletricidade, denominada "uma bola de neve" por António Eloy, onde vai ser necessária "uma tomada de consciência" da população para a poupança, principalmente das empresas. "Vamos tentar resolver, mas não há um céu estrelado à nossa espera", conclui.

Esta segunda-feira, o presidente executivo da Galp afirmou que a energética perdeu 135 milhões de euros na importação de gás para a Península Ibérica, no primeiro semestre deste ano, devido a interrupções de fornecimento da Nigéria. Além disso, também deixou o alerta de que os preços do gás natural podem subir, devido à revisão dos contratos com os fornecedores nigerianos.

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