"Não houve perceção da dimensão." Forças Armadas não temem sair beliscadas com Operação Miríade

Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas reagiu pela primeira vez ao caso dos militares em missão externa suspeitos de tráfico de diamantes.

O almirante António Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, reagiu ao caso dos militares em missão externa suspeitos de tráfico de diamantes explicando que as denúncias chegaram no final de dezembro de 2019, pela cadeia hierárquica, através de militares do Exército que estavam na República Centro-Africana e sublinha que as Forças Armadas não saem beliscadas com esta situação porque não se pode confundir um comportamento criminal com o "extraordinário trabalho" dos comandos naquele país.

"Não se pode confundir aquilo que é o valor e os extraordinários serviços prestados à pátria com o comportamento ilegal de alguns militares. As Forças Armadas continuarão a cumprir as suas missões com brio, relevância e serão completamente intolerantes com os comportamentos que se desviem da sua missão. É assim que continuaremos a agir e a atuar", explicou o almirante António Silva Ribeiro.

Questionado sobre porque razão não informou logo Marcelo Rebelo de Sousa sobre o que se estava a passar, o almirante remeteu para as respostas já dadas pelo Presidente da República e pelo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, lembrando novamente que as Forças Armadas comunicaram o caso dentro da estrutura de comando e essa mesma estrutura, por sua vez, participou à Polícia Judiciária Militar.

"Quando a denúncia chegou era relativa à eventual participação de dois militares. Logo no início, nunca houve a perceção de que o problema fosse desta dimensão", justificou o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Para que casos como este não se venham a repetir no futuro, António Silva Ribeiro revelou que foram tomadas uma série de medidas, tanto no aeroporto de trânsito número um da Força Aérea como no Exército.

"Dentro daquilo que é a preparação das bagagens e depois o seu despacho nos aviões para Lisboa, bem como o seu controlo à chegada que garantem absolutamente que não há possibilidade de repetição destes acontecimentos. Está vincado na atitude dos militares, que transmitiram pela cadeia hierárquica mal souberam que havia alguns indícios de comportamento desviante. Os nossos princípios éticos são os grandes valores que norteiam a atitude dos militares perante estes desvios comportamentais. Esses são os valores permanentes das Forças Armadas e relativamente aos quais ninguém se pode desviar deles", afirmou.

Portugal continua com tropas portuguesas na República Centro-Africana e o almirante garante que este caso não as deixará em perigo face ao ambiente que já se vive naquele país. Tanto as Nações Unidas como as autoridades locais sabem que se tratou de "um fenómeno localizado" que não se voltou a repetir.

"As nossas forças na República Centro-Africana gozam de um tal prestígio pelos atos heroicos que têm feito na defesa da vida das populações que aquilo que tenho visto no país são ovações às nossas tropas sempre que elas passam. Tenho a certeza que os cidadãos da República Centro-Africana, tal como nós, saberemos distinguir aquilo que foi o comportamento incorreto de alguns militares daquele que é o trabalho abnegado e heroico dos nossos militares no país. Lembrem-se que foi depois da chegada dos portugueses que a situação de paz e tranquilidade no país melhorou muito e hoje em dia os cidadãos vivem em melhores condições do que aquelas em que viviam", acrescentou o almirante António Silva Ribeiro.

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