Um mapa a não seguir. O caminho dos mamíferos marinhos que os humanos não devem perturbar

Poluir ou criar ruído num mar que não é do Homem. A melhor forma de proteger baleias, focas, golfinhos e outros animais é não os incomodar em casa.

David Johnson esconde no bolso o guardanapo que acaba de usar para comer um pastel de nata ("um de muitos" que já comeu hoje). O britânico está em Lisboa para participar na Conferência dos Oceanos, mas já veio a Portugal muitas vezes, especialmente aos Açores, para observar cachalotes.

O trabalho do coordenador da Global Ocean Biodiversity Initiative passa por "identificar lugares especiais que precisam de apoio extra para que a biodiversidade possa prosperar" e "garantir que essas zonas importantes para mamíferos marinhos recebem cuidados especiais".

"Para os cientistas portugueses, e de todo o mundo, os dados são essenciais para perceber o movimento dos mamíferos marinhos, as direções que estão a seguir e os corredores que precisam de proteger", aponta David Johnson, em entrevista à TSF.

A Global Ocean Biodiversity Initiative cria depois mapas interativos das chamadas Important Marine Mammal Areas (áreas importantes para os mamíferos marinhos), como a Madeira, casa da foca-monge-do-mediterrâneo.

Estes mapas mostram para onde é que estes animais estão a migrar e "onde são os locais-chave do seu habitat - onde se reproduzem ou descansam ou se alimentam - e como é que as populações interagem umas com as outras para se manterem saudáveis."

Para proteger estas espécies, explica David Johnson, "o mais importante é garantir que o seu comportamento pode ser o mais natural possível: que se podem mover para onde se quiserem mover e se alimentar onde quiserem."

"Parte do problema é a mudança." Com o aquecimento global a temperatura da água está a subir, os peixes fogem para zonas do mar diferentes das habituais e os mamíferos marinhos são obrigados a segui-los. "Tal como nós, humanos, faríamos: seguir a comida."

Também é preciso olhar para os "impactos cumulativos de diferentes ameaças", como poluição, a que se junta o barulho dos navios e sonares artificiais (que interferem com os mecanismos de orientação de golfinhos e baleias) e a acidificação das águas.

Estas ameaças podem explicar porque aparecem casa vez mais baleias encalhadas nas praias portuguesas.

"Estes eventos são alarmantes e não estão perfeitamente explicados", afirma David Johnson. "Há muitas teorias que indicam que os animais podem estar stressados" devido a mudanças no ambiente com que não conseguem lidar, como o barulho ou a temperatura.

Quando ficam presas em águas pouco profundas ou acabam na praia, os órgãos das baleias ficam esmagados pelo próprio peso e ajudá-las torna-se impossível.

"É nossa responsabilidade enquanto humanos garantir que as nossas atividades são compatíveis com o comportamento destes animais", alerta David Johnson. E "com a população mundial a aumentar há pressões crescentes".

Conferencias como esta são importantes, desde que as palavras se "transformem em atos": "Os governos estão a prometer fundos, compromissos e alertas, mas têm de ser responsabilizados. Devemo-lo aos animais marinhos."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de