"Não podemos baixar a guarda." Marta Temido admite que nenhum hospital está livre de pressão

A região Norte tem contraído um elevado número de novos casos de infeção e internamentos.

O elevado número de internamentos Centro Hospitalar Tâmega e Sousa obrigou as autoridades de saúde a transferir doentes com Covid-19 para outras unidades de saúde. Marta Temido deslocou-se à região para reunir com os dirigentes locais, e avaliar a pressão hospitalar a Norte do país.

Aos jornalistas, a ministra da Saúde explicou que as reuniões permitiram analisar as condições de trabalho e a capacidade das autoridades de saúde para realizar os inquéritos epidemiológicos.

"Estivemos a verificar os atrasos na realização dos inquéritos. Há um conjunto de inquéritos acumulados e estivemos a avaliar como fazer a recuperação desses casos", adianta.

O Hospital de Penafiel já registou, igualmente, um alívio no número de internados, fruto da transferência de doentes para o Hospital da Universidade Fernando Pessoa.

"Não podemos baixar a guarda. Os profissionais de saúde têm feito um esforço enorme, mas continuam com ânimo. Cá fora temos de aliviar a pressão a montante. Se tivermos dez milhões de infetados, não temos capacidade de resposta."

Marta Temido admite que o aumento de vítimas mortais pela Covid-19 é preocupante. Esta sexta-feira, o boletim epidemiológico indica 52 mortes, o que se traduz no segundo pior dia da pandemia em Portugal.

A ministra da Saúde explica ainda que vários profissionais de saúde no Norte do país contraíram a infeção, no entanto, garante: "Vamos manter a capacidade assistencial".

"Não estamos livres de pressão e mortalidade elevada"

Quando os hospitais de uma região começam a chegar ao limite, como é o caso do Norte, "pode ser preferível transferir os doentes para hospitais mais longínquos".

"As instituições estão habituadas a trabalhar isoladamente, mas temos de trabalhar em conjunto. Com as autarquias e as diversas instituições de saúde", refere Marta Temido.

A ministra da Saúde lembra que nenhum hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está livre de uma maior pressão, e volta a apelar à contenção dos portugueses. "Não estamos livres de voltar a ter este tipo de pressão e mortalidade elevada."

Quanto aos acordos com as instituições privadas, Marta Temido remete para as autoridades locais.

Questionada sobre o número de camas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) disponíveis, a ministra escusou-se a responder diretamente: "É fazer as contas". A maior pressão de internados em UCI está na região Norte.

Marta Temido admitiu ainda que o Governo tem sentido dificuldades em contratar profissionais para aumentar a capacidade no combate à pandemia. "Há dificuldades de recrutamento de profissionais em toda a Europa", lamenta.

O Hospital CUF Porto também recebeu quatro doentes com Covid-19 provenientes do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, num entendimento com o SNS.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 2.740 mortes e 161.350 casos de infeção, estando na quinta-feira ativos 67.157 casos, mais 1.857 do que na quarta-feira.

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