"Não podemos olhar para os migrantes só como força de trabalho, só para tapar o buraco da demografia"

Destacando que são precisos imigrantes, a diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações disse que esta situação leva a pensar nas políticas a nível global e de como se deve estar alinhado, "para que haja, de facto, esta liberdade de circulação regulada".

A Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) considera que não se pode olhar para os migrantes só como força de trabalho ou para tapar o buraco da demografia, ao abordar os resultados preliminares dos Censos 2021.

"[Os Censos 2021] vieram confirmar aquilo que já se dizia há muito tempo, que a nossa população portuguesa está a envelhecer, que precisamos do contributo da imigração mais jovem. Agora, não podemos olhar para os migrantes só como esta força de trabalho, só para tapar o buraco da demografia", afirmou à agência Lusa a diretora da OCPM, Eugénia Quaresma.

Esta responsável falava a propósito da peregrinação do migrante e do refugiado ao Santuário de Fátima, integrada na peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto, que hoje começa.

A diretora da OCPM salientou que a diminuição da população não é apenas em Portugal, apesar de o país ter "números muito grandes", mas "acontece um bocadinho por toda a Europa".

Destacando que são precisos imigrantes, Eugénia Quaresma disse que esta situação leva a pensar nas políticas a nível global e de como se deve estar alinhado, "para que haja, de facto, esta liberdade de circulação regulada".

"Reconhecemos o direito que os Estados têm de regular a migração. Mas temos de prever esta mobilidade, que faz parte, e olhar, também, para os migrantes como sujeitos de desenvolvimento e não só como pessoas que vêm trabalhar, mas que querem melhorar a sua vida e que podem contribuir para o desenvolvimento dos países de origem", declarou.

A diretora da OCPM, organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, referia-se àqueles que "vêm para Portugal que podem ser agentes de desenvolvimento para os seus países de origem", mas, igualmente, à diáspora portuguesa, que "pode ser um agente de desenvolvimento para Portugal, nomeadamente nas zonas" onde há maior despovoamento.

Eugénia Quaresma acrescentou que em maio organizações católicas para a imigração e asilo pediram audiências a deputados e ao primeiro-ministro para refletir sobre a habitação, "quando veio a lume" a questão de Odemira.

"Sabemos que é um problema transversal na sociedade portuguesa e gostaríamos muito de contribuir para melhorar, para encontrar uma solução. E, portanto, se calhar um primeiro passo era que fossemos ouvidos", notou.

No final de abril, o Governo decretou uma cerca sanitária devido à pandemia de Covid-19 em duas freguesias de Odemira, que durou até 11 de maio, medida justificada com a "situação de particular gravidade" que o concelho alentejano registava, sobretudo entre trabalhadores temporários do setor agrícola.

Os casos detetados na pandemia entre os imigrantes que trabalham na agricultura denunciaram as condições desumanas em que muitos deles vivem, tendo envolvido realojamentos.

Segundo os resultados preliminares dos Censos 2021, divulgados em 28 de julho pelo Instituto Nacional de Estatística, Portugal tem 10.347.892 residentes, menos 214.286 do que em 2011. Trata-se de uma quebra de 2% relativamente a 2011.

A peregrinação do migrante e do refugiado faz parte da 49.ª Semana Nacional de Migrações, que começou no domingo e termina no dia 15. Tem como tema "Rumo a um nós cada vez maior."

A peregrinação internacional aniversária de agosto é presidida pelo arcebispo do Luxemburgo, cardeal Jean-Claude Hollerich, país onde 15% da população é portuguesa.

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