"Não podemos tolerar esta atitude do Governo." Patrões abandonam concertação social

António Saraiva, da CIP, revelou que os patrões vão pedir audiência a Marcelo Rebelo de Sousa.

Em reação às alterações das leis laborais anunciadas pelo Governo na quinta-feira, os patrões revelaram, esta sexta-feira, que vão suspender, de imediato, a sua participação na concertação social.

"Dessas 64 propostas, o Governo veio juntando em cada reunião de concertação social novas propostas e na última reunião, de quarta-feira, chegámos a 70 propostas porque o Governo vinha incorporando novas à medida que ia cedendo com os partidos de esquerda parlamentar. De cedência em cedência chegou às 70. Surpreendentemente aquilo que saiu da reunião do Conselho de Ministros e que está anunciado são novas medidas que elevariam a 72 as medidas da Agenda do Trabalho Digno. Os parceiros sociais patronais não podem tolerar esta atitude do Governo", explicou António Saraiva.

Os patrões recordam que celebraram acordos profissionais com o Governo que, por sua vez, não respeitou quase todos eles.

"Falha agora redondamente", acrescenta o presidente da CIP.

As confederações patronais opuseram-se às propostas do Governo sobre a arbitragem necessária e prorrogação da suspensão da caducidade das convenções coletivas, considerando que as matérias laborais estão a ser usadas como "moeda de troca" para aprovação do OE2022.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, vê "com alguma tristeza" esta decisão, que diz ser um "golpe de pressão" por parte do patronato para obrigar o Governo a ceder em algumas das negociações, "nomeadamente com o PCP".

Por outro lado, alerta que a decisão é também "perigosa", porque deixa o diálogo social do país "coxo e sem uma parte fundamental, que é a patronal".

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