"Não podemos vacinar mais do que estamos a vacinar." Principal problema é falta de vacinas

O coordenador da task force para a vacinação garante que, excluindo a falta de vacinas, o processo está a correr muito bem. Portugal já deu 1,5 milhões dos 1,8 milhões de vacinas que recebeu.

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force do plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, mostra-se otimista quanto à forma como está decorrer a vacinação e garante que o país só não está a administrar mais vacinas porque elas ainda chegaram.

Entrevistado no Fórum TSF desta manhã, Gouveia e Melo afirmou que "podemos olhar para o copo e dizer que está meio cheio ou meio vazio, mas, neste caso, [o "copo" da vacinação] está muito cheio".

A Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar aponta que o processo de vacinação tem sido difícil e que há vários fatores a atrasá-lo. Além do atraso na chegada das vacinas, têm sido referidos problemas adicionais no terreno, como as limitações informáticas dos centros de saúde, com as as convocatórias por SMS a não chegam a todos e a vacinação a levar muito tempo a marcar.

Respondendo diretamente a estas críticas, o coordenador da task force para a vacinação afirma que os problemas identificados "existem, mas são normais num processo desta complexidade", que obriga a "muitas adaptações e a um esforço muito grande de todo os participantes".

O vice-almirante Gouveia e Melo garante que as situações descritas são a exceção, e não a regra, no processo de vacinação, que, assegura, "na globalidade, está a correr bem".

O coordenador diz que todas as situações de falhas que têm sido detetadas são "imediatamente resolvidas" e que os "sistemas informáticos estão a ser adaptados todos os dias". Exemplo disso é o facto de, nas últimas 24 horas, terem sido enviados cerca de 80 mil mensagens de SMS para convocar os professores para a vacinação no próximo fim de semana - "coisa que, há dois meses, nem se pensava", frisa.

Gouveia e Melo alega, por isso, "não estar nada pessimista" e nota que o país só não vai mais avançado na vacinação porque não há mais vacinas disponíveis para administrar.

"Não podemos dar mais vacinas do que as que estamos a dar", atira.

O vice-almirante indica que, até ao momento, Portugal recebeu cerca de 1,8 milhões de vacinas contra a Covid-19, sendo que, dessas, já foram administrados mais de 1,5 milhões - e que há que manter as reservas para as segundas doses.

No segundo trimestre do ano, está previsto chegarem a Portugal mais vacinas e o coordenador da task force admite que o "sistema vai ficar ainda mais stressado e vai ser mais posto à prova".

De uma média de 20 mil vacinas por dia, espera-se, na segunda fase, passar para a vacinação de 100 mil pessoas por dia (em maio). Uma "grande tarefa" para a qual Gouveia e Melo garante, na TSF, que a task force se está a preparar.

Nega que haja falta de profissionais para a missão, assumindo que tem a garantia do Governo de que não irão faltar recursos para levar a cabo aquela que é "a batalha central neste momento" -, assim cheguem as vacinas ao país. Não se podem é esperar "milagres", diz, alegando que "não há nenhum processo de convocação por telepatia, nenhum processo mágico".

"O processo é muito evolutivo, mas as coisas estão a acontecer no terreno", sustenta. "Estamos a usar o tempo da melhor forma que podemos."

A todos aqueles que continuam à espera de ser convocados para a vacinação, o coordenador da task force pede "confiança no processo" e a "certeza de que vão ser contactados".

"Se não forem, há formas de contactarem os serviços do Ministério da Saúde para resolver o problema", ressalva. "Ninguém vai ficar para trás. Vamos fazer tudo para todas as pessoas vulneráveis serem vacinadas o mais rápido possível."

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