"Não se olha para o rio Tejo como uma fonte de riqueza"

Em declarações à TSF, o pescador Luís Lopes desabafou sobre a evolução do tratamento das margens do rio Tejo na aldeia de Caneiras, próxima de Santarém.

No Rio Tejo, a seca também se sente na hora de lançar a rede para pescar. Na aldeia de Caneiras, próxima de Santarém, Luís Cosme recebeu a TSF no seu barco, onde tem uma vista privilegiada para perceber as mudanças do caudal ao longo dos anos.

"No início dos anos 80 tivemos uma seca extrema e em 2000 também", recorda o pescador. Ainda assim, o local continua a sentir os efeitos das cheias de há mais de 100 anos, mas, agora, o risco de voltar a acontecer "é menor", porque "a água é canalizada para outros sítios" e "o leito do rio terá descido cerca de dois centímetros", considera.

"O rio é vida", afirmou Luís Cosme, com o som das garças a invadir o silêncio matinal nas margens do Tejo, realçando o facto de serem "o espelho" de um rio que "continua a ter comida para elas". No entanto, o pescador acredita que "este peixe que vive no rio existiria em maior abundância se alguém o tivesse tratado de forma diferente".

Em 2022, "não é muito viável" viver só da pesca. Esta terça-feira de manhã, a rede ainda não tinha condições para ser lançada ao rio, o que também demonstra a "sazonalidade" e irregularidade da atividade, mais rentável "de janeiro a junho".

Ao longo dos anos, Luís Cosme relembrou a evolução do tratamento do património natural da região e denunciou algum descuido e "desinvestimento", porque "não se olha para o Tejo como uma fonte de riqueza".

"Não se tem feito nada para que exista um aproveitamento desta fonte de riqueza que é o rio" e, pelo contrário, o pescador nota um "consumo desmesurado e um desperdício de água" por parte da população.

"É uma tristeza vermos o rio Tejo como o vimos, em pleno século XXI", lamenta.

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