Nas águas que alimentam a Ria de Aveiro, o caudal é "semelhante ao de agosto"
Reportagem TSF

Nas águas que alimentam a Ria de Aveiro, o caudal é "semelhante ao de agosto"

Esta quarta-feira as Nações Unidas assinalam o Dia Mundial das Zonas Húmidas.

Rios com pouco caudal, zonas que nesta altura do ano deveriam estar alagadas e não estão. É este o cenário em parte da Ria de Aveiro, na zona de Estarreja, uma das várias zonas húmidas em Portugal.

O Rio Jardim é o primeiro sinal de alarme. Parece um regato. Da margem vê-se o fundo.

Não é bom sinal diz a bióloga Sara Marques. "Aqui nós conseguimos ver logo a falta de chuva, não é? Estamos a falar de um rio que está com um caudal semelhante ao que teríamos em agosto. Estamos em fevereiro. Não é suposto isto acontecer".

A água corre com, no máximo, com uma profundidade de 20 centímetros. A bióloga do projeto BioRia da Câmara de Estarreja responde que "no inverno temos aqui um metro de altura de caudal, facilmente".

Mas não neste inverno. Não neste fevereiro.

A prova disso está um pouco mais adiante, nos terrenos dos arrozais. Têm água, mas estão longe de estar alagados.

A sementeira só começa em abril. No entanto, e nesta altura do ano, os terrenos deveriam estar alagados com águas da chuva. Não estão.

A bióloga sublinha que ainda há tempo para que a situação se altere, mas também avisa que "continuando a seca e se os níveis freáticos não aumentarem muito, pode haver aqui consequências na altura da cultura.

Preocupações também com o bem-estar e evoluir da fauna desta zona da Ria de Aveiro.

O biólogo Eduardo Dias, também do projeto BioRia lembra-se dos sapos e das rãs e sublinha qeu "os anfíbios dependem exclusivamente de corpos de água na fase de reprodução. São aquilo que chamamos os charcos". E ainda há tempo para que esses charcos se formem.

Têm que se formar até porque são "essenciais para manter as populações de anfíbios que, sem eles, deixam de existir. As secas são são gravíssimas para os anfíbios".

No entanto, nem toda a Ria de Aveiro sofre com a falta de chuva. O ecossistema é alimentado por dois tipos de água. A doce, e essa é a que está com menor caudal, e a do mar que segue impávido à falta de chuva.

Percorrendo os trilhos do BioRia em Salreu, é a caminho dessas águas salobras que se podem ver outros animais. As cegonhas são uma certeza. Garças e outros pássaros, também. O chilrear é constante.

De resto, "com muita sorte", diz a bióloga Sara Marques, até lontras se avistam. "Nós temos aqui várias. No inverno, a área que elas usam aumenta um bocadinho, portanto é mais fácil observa-las do que no verão". O problema é a hora em que as as lontras estão ativas. A bióloga explica que se trata de uma "espécie crepuscular, noturna. Não anda por aqui na altura do dia em que nós andamos".

Metros mais à frente, outro ponto de interesse. Eduardo Dias faz sinal e diz "estamos a passar num sítio bastante interessante, devido a uma espécie que normalmente não é tão procurada, nem tão falada, mas que tem também bastante interesse".

Que espécie é essa? "É o Lagarto de água", conta o biólogo que descreve o animal como tendo "principalmente na época de reprodução, umas cores muito bonitas. O corpo é verde claro e vivo. A cabeça é azul".

É um lagarto que só existe em Portugal e em Espanha. "Infelizmente em números algo reduzidos", lamenta.

É depois de alguns minutos de caminho que as vistas se alargam e estamos perante outra ria. A da água salobra. A esta hora o corpo de água não é muito grande, mas aqui não há seca. Aqui o que há é a maré, e à hora da reportagem ela está baixa.

Em breve o mar irá invadir este espaço e o nível de água subirá. É assim há centenas de anos e não é a falta de chuva deste inverno que vai mudar isso.

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