Nesta creche, a pandemia não é desculpa para deixar de brincar

A reabertura das creches marcou a primeira fase de regresso à normalidade depois do confinamento. Começaram a meio gás mas a comunidade escolar já se começa a habituar às novas regras.

Na sala dos 12 meses, na creche Vale Fundão I em Lisboa, a brincadeira faz-se dentro e fora do recreio. Tudo serve para brincar: bolas, paus, redes, tampinhas e cápsulas de café. Com a ajuda das educadoras, as crianças vão redescobrindo a brincadeira em conjunto, depois de meses em casa.

A creche, situada na freguesia de Marvila, foi voltando à normalidade devagar e o regresso "correu bem".

" Os pais vieram, cumpriram as regras, claro que estavam preocupados. São os filhos, é normal. As crianças reconheceram os colegas, estavam felizes por encontrar os amiguinhos e reconheceram os adultos e correu muito bem", conta Rosa Lourenço, diretora da creche.

Os educadores tinham receio que as máscaras pudessem atrapalhar mas a diretora garante que as crianças nem repararam.

"Quando regressaram o que a educadora fez foi, quando foi receber a criança, afastou-se, retirou a máscara e mostrou. Mas nenhuma criança reagiu. As crianças realmente são resilientes e aprendem com uma capacidade completamente diferente dos adultos", conta.

Reabriram portas a 18 de maio e como os meses de férias já lá vão, a creche voltou a funcionar quase em pleno. Ainda assim, tiveram que diminuir o número de crianças. Costumavam ter mais de 80, agora são 66.

A creche pôs em prática as novas regras da Direção Geral da Saúde mas nem todas as recomendações podem ser seguidas, como o distanciamento físico.

"Dissemos logo aos pais: se quer que o seu filho venha, nós não vamos garantir que ele vai brincar sozinho num canto. Não. A creche não serve para isso. A creche é um lugar de socialização, de brincar. Não é cada um por si", defende a diretora.

De resto, tentam seguir todas as regras. As salas têm menos material de brincadeira porque foram divididos por turnos.

"Fizemos kits de material e a ideia é que a sala tenha sempre brinquedos com aquela funcionalidade. De manhã estão aqueles brinquedos, à hora de almoço tiram, higienizam-nos. Ou retiram e estão dois dias guardados e recolocam outros com a mesma funcionalidade pedagógica", explica a diretora.

Houve a necessidade de transformar salas em cantinas e quartos de dormir em espaços de brincadeira para poderem reagir na eventualidade de surgirem casos positivos de Covid-19.

"As equipas estão feitas de forma estanque. Portanto, as colegas e as crianças do berçário não entram em contacto com as crianças de um ano, nem com as de dois anos. Portanto, se acontecer naquela sala iremos seguir as normas que nos vão dizer e será aquela sala e não será o estabelecimento todo", afirma

A diretora da creche Vale Fundão I da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa admite que a situação não é ideal, sobretudo tendo em conta que a creche promove um relação de muita proximidade com os pais e com a comunidade.

"Essa é a parte que nos custa mais. As famílias não poderem entrar, é um grande handicap para nós. Mas não é possível. Com as crianças, o brincar vai ser o mesmo de antes. O que podemos não manter tão assiduamente é o passeio à comunidade", lamenta.

É um ano letivo diferente, que vai exigir o repensar do projeto educativo, com alguma ansiedade para educadores e pais. Para as crianças é esperar que não notem muitas diferenças.

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