"No limite, alguém treinado pode simular Alzheimer"

Em declarações à TSF, o neurologista Ricardo Taipa explica, no entanto, que "seria impossível uma pessoa forjar ou simular alguns biomarcadores" que são "independentes" do sujeito.

A doença da Alzheimer é das formas mais comuns de demência, mas o diagnóstico não é simples, nem imediato. Tem uma parte de testes biológicos que não podem ser manipulados, mas o neurologista Ricardo Taipa, que dirige o banco de cérebros do Hospital de Santo António, no Porto, admite que alguém muito bem treinado, por um profissional até poderia simular os sintomas de declínio cognitivo.

"No limite, seria possível alguém treinado do ponto de vista neuropsicológico comportar-se nos testes como um doente de Alzheimer", afirma em declarações à TSF, acrescentando que "seria impossível essa mesma pessoa simular alguns biomarcadores" que "são independentes do sujeito". "É a mesma coisa que simularmos uma análise ao sangue, como está o açúcar ou a glicemia", diz.

Ricardo Taipa sublinha, por outro lado, que a doença de Alzheimer é progressiva, não acontece de um dia para o outro e mesmo que alguém tenha testes de diagnóstico positivos, não quer dizer que o doente esteja incapacitado.

"Os biomarcadores não dizem a incapacidade em que isso se traduz. A tradução direta entre ter estes biomarcadores positivos ou negativos não é sinónimo de incapacidade funcional", explica.

Em absoluto, a confirmação do diagnóstico de Alzheimer faz-se com uma autópsia ao cérebro, depois da morte do doente.

Um coletivo de juízes recusou o pedido da defesa de Ricardo Salgado para suspender o julgamento, devido ao diagnóstico do ex-banqueiro com doença de Alzheimer.

O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) está acusado de três crimes de abuso de confiança, devido a transferências de mais de 10 milhões de euros, no âmbito do processo Operação Marquês.

A defesa de Ricardo Salgado tinha pedido, na última semana, a suspensão do julgamento, alegando como impeditivo a doença do arguido, comprovada por atestado médico. O documento relata "sintomas de declínio cognitivo progressivo" e "defeito de memória".

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