No turismo algarvio trabalha-se 12, 14 ou 16 horas por dia para ganhar mais uns tostões

Os salários baixos e cargas horárias intensas são o dia-a-dia de quem trabalha na hotelaria.

As dificuldades em recrutar pessoas para trabalhar no turismo algarvio ficam bem patentes nas palavras de João.

"Atualmente estamos a contratar uma média de 6 pessoas por semana", conta. Há uns anos, a empresa de trabalho temporário para a qual trabalha, e onde é o responsável pela área de housekeeping (serviços de limpezas em quartos e áreas comuns de hotéis e apartamentos turísticos) contratava para essa área o mesmo número de pessoas por dia.

A falta de alojamento para esses funcionários, que muitas vezes vêm de outros locais do país ou são imigrantes, é um dos problemas com que se debate o setor. João lembra-se de uma funcionária lhe ter contado que dormiu um verão inteiro numa varanda e pagou por isso ao proprietário, como se fosse um quarto normal.

Mas os baixos ordenados propostos pelos patrões, que nestas tarefas não ultrapassam o salário mínimo nacional, são outro problema que não ajuda a encontrar gente para trabalhar no setor.

Além disso, "também é um trabalho muito agressivo ao nível de carga horária", defende. Por esse motivo, houve profissionais da área que, depois e terem ficado desempregados durante a pandemia, optaram por outras áreas. Ou ainda estão a ganhar o subsídio de desemprego, porque não compensa voltar a trabalhar no setor.

Ana, a responsável na mesma empresa pelas governantas e empregadas de limpeza dos quartos, lembra que há funcionários a realizar tarefas muito para além da sua hora de serviço.

Na sua área e em muitos setores da hotelaria, conhece-se o horário de entrada, mas nem sempre o de saída.

"Chegam a trabalhar 12, 14, 16 horas. A fazer dois horários num dia só", adianta. Não só porque há falta de gente, mas porque "elas, coitadas, as mais necessitadas, precisam de ganhar mais e sujeitam-se a essas cargas horárias".

Nos apartamentos e hotéis, alguns de 5 estrelas, os funcionários deparam-se também com trabalhos e situações cada vez piores. "Os hóspedes deixam as casas imundas, as crianças podem fazer tudo, que está tudo bem", critica. As trabalhadoras, que levariam duas horas a limpar as casas, gastam o dobro do tempo. "Porque está tudo imundo", garante.

João considera que, de futuro, a hotelaria tem que se reinventar. Além de pagar salários mais altos terá de ter horários mais adequados. "Esta nova geração millennials pretende usufruir mais da vida pessoal, e isso tem que ser pensado pelos departamentos de recursos humanos das unidades hoteleiras", conclui.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de