No último ano mais de 600 pessoas ficaram sem casa na região de Lisboa

Manuel Grilo, vereador dos Direitos Sociais na Câmara de Lisboa, aponta as dificuldades económicas inerentes à pandemia como a principal causa para este aumento do número de pessoas que ficaram sem casa.

No último ano, mais de 600 pessoas ficaram sem casa só na área Metropolitana de Lisboa. Estes números são divulgados pelo vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo, que explica que a monitorização é feita ano a ano. Em 2020 houve um aumento muito elevado de casos de pessoas que necessitaram de acolhimento. Já o número de pessoas a viver na rua sofreu uma ligeira redução.

Em 2019, eram 465 as pessoas a dormir na rua e sem teto. No final de 2020, havia 447. "Há uma ligeira diminuição, mas o número é relativamente estável." O que mudou sobretudo foi o número de pessoas sem casa, "que estão, ou em abrigos, ou em housing first, ou nos centros de emergência": havia 2602 pessoas nesta situação em 2019, para 3201 pessoas no final de 2020. Isto significa que há mais 600 pessoas "tecnicamente em situação de sem abrigo", que têm "onde dormir" mas não "habitação autónoma".

"O que nós verificámos logo, em 2020, foi uma chegada à rua de muitas pessoas. Cerca de 40% das pessoas identificadas como em situação de sem abrigo nessa altura tinham chegado à rua nesse ano. "Estamos a falar de um número muito significativo; cerca de 150 pessoas chegaram à rua após o primeiro confinamento", aclara Manuel Grilo. É justamente o confinamento que é atribuído como uma das principais causas para este aumento, que foi acompanhado de um acréscimo das respostas municipais, com a criação de quatro centros para pessoas em situação de sem abrigo. Estes espaços têm capacidade para a permanência de 220 pessoas.

A autarquia reforçou a resposta e neste momento tem ativos quatro centros de emergência para pessoas em situação de sem abrigo, mas o vereador dos Direitos Sociais diz que o maior desafio tem sido encontrar soluções. "Sempre que é dada uma alternativa adequada à sua própria situação, as pessoas aderem. É necessário é termos neste momento disponíveis mais respostas adequadas para estas pessoas. Há algumas pessoas que resistiram, e que resistem, por exemplo, para ir para os centros de abrigo tradicionais."

No último ano também aumentou muito o número de mulheres a viver nas ruas, e a autarquia de Lisboa teve mesmo que criar uma resposta específica. "Em 447 que estão a dormir na rua, encontrámos mais de 17 mulheres sem tetos, e mais 426 mulheres sem casa", reconhece. Foi necessário então "encontrar uma fórmula adequada para mulheres", assinala, exemplificando com a Casa do Lago, que tem em permanência 19 mulheres.

No último ano mais de 600 pessoas ficaram sem casa na região de Lisboa. O último balanço da autarquia contabiliza 3200 pessoas sem habitação e quase 450 em situação de sem abrigo.

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