Novas normas Covid "fazem sentido" mas com menos testes não se sabe "como isto anda"

Em declarações à TSF, Gustavo Tato Borges considera que "é preciso que as instituições tenham a capacidade" de colocar as novas regras em prática. Já Manuel Lemos pede "bom senso" para que "o vírus não se propague na comunidade".

Os testes à Covid-19 passam a ser feitos apenas em casos muito específicos. A Direção-Geral da Saúde atualizou, na segunda-feira, as normas sobre a doença provocada pelo SARS-CoV-2 e, ao todo, são onze as normas revogadas, o que marca uma mudança na gestão da pandemia. Ouvido pela TSF, Gustavo Tato Borges, presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública, considera que faz sentido passar para o papel aquilo que já está a ser feito na prática, mas resta saber se há condições para aplicar as novas regras.

"Faz sentido regularizar estas situações, agora é preciso é que as instituições tenham a capacidade de colocar isto em prática. Não podemos esquecer que, nos hospitais, as enfermarias têm mais do que uma pessoa por quarto, mesmo nos lares de idosos há situações, não muito frequentes, de pessoas que residem numa habitação sozinha para si própria. Tudo isto implica um ajuste local e a cada realidade que vai depender muito da capacidade dos serviços de higiene e segurança do trabalho poderem dar uma ajuda, ou até mesmo das autoridades de saúde, junto dos lares", explica Gustavo Tato Borges.

O presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública alerta, no entanto, que a norma falha "num ponto essencial": a ventilação dos espaços interiores, que "deveria ser reforçada na presença de um trabalhador positivo ou com sintomas respiratórios".

Gustavo Tato Borges nota que menos testes significa mais desconhecimento sobre a pandemia.

"Já estamos, neste momento, sem ter uma capacidade de reconhecer a realidade epidemiológica da transmissão do vírus e nós não sabemos como é que isto anda, apenas temos indicadores indiretos da epidemiologia da transmissão e indicadores diretos da gravidade e da mortalidade", refere, considerando que isso é "um sinal de preocupação".

"A verdade é que em Portugal temos um sistema de vigilância relativamente bom, mas não conhecemos a realidade completa de todas as doenças que circulam. Aquilo que procuramos evitar são os casos graves e é esse trabalho continuamos a fazer. Não é ideal, mas neste momento não será demasiado preocupante", defende.

Já o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, também ouvido pela TSF, sugere que o bom senso será a chave para o sucesso destas mudanças.

"Por um lado, faz sentido porque as pessoas estão vacinadas e os nossos idosos, de alguma maneira, estão protegidos, apesar de tudo o que temos verificado. O bom senso recomenda que tenhamos cuidado para que não seja a partir do ar que o vírus se propague na comunidade", diz.

A norma da DGS adianta que a "realização de testes em pessoas sem sintomas deixa também de ser recomendada, bem como em pessoas que não tenham sintomas e que necessitem de realizar intervenções como cirurgias ou exames".

Nos casos de internamento, as administrações dos hospitais, dos centros hospitalares e das unidades locais de saúde devem permitir visitas aos doentes com Covid-19, assim como assegurar o direito a acompanhante durante a gravidez, o parto, o puerpério e em contexto pediátrico, desde que garantido o cumprimento das medidas de prevenção e controlo de infeção.

Segundo a DGS, nas pessoas com Covid-19 em fase de recuperação, deve ser implementado um plano multidisciplinar de reabilitação funcional e respiratória, bem como a vigilância das sequelas respiratórias, em articulação com as equipas médicas de cuidados de saúde primários.

"As unidades de saúde asseguram a realização das consultas a pessoas com Covid-19 em autocuidado em ambulatório, sempre que possível através de telessaúde, minimizando as deslocações destas pessoas para situações de intervenção urgente e inadiável", avança.

Quanto aos lares de idosos e estruturas similares, durante o período da infeção, as visitas aos doentes com Covid-19 devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de proteção individual, indica a norma da DGS.

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