Novo gestor do plano nacional para sem-abrigo quer tirar todas as pessoas da rua

Henrique Joaquim, o novo gestor do Plano Nacional para as pessoas em situação de sem-abrigo, acredita ser possível retirar todas as pessoas das ruas.

O segundo dia do ano é o primeiro dia para o novo gestor nacional para a inclusão. Henrique Joaquim assume funções esta quinta-feira. Deixa para trás a Comunidade Vida e Paz, onde trabalhou durante os últimos oito anos, e vai coordenar o Plano Nacional do Governo para as pessoas em situação de sem-abrigo.

À TSF, Henrique Joaquim revela ter aceitado o convite por estar em sintonia com os objetivos delineados pelo Executivo e por continuar a acreditar que é possível retirar das ruas todas as pessoas nesta situação. O sentido de missão move o novo coordenador da estratégia governativa, que alega ser esta uma causa nacional que deve envolver todos os portugueses, desde o voluntário anónimo ao mais alto representante do Estado.

"Há uma proximidade do Presidente com a causa, e, por consequência, deu-se a minha proximidade com o senhor Presidente. Não nego que têm sido uma enorme mais-valia todos os momentos que tenho tido o privilégio de partilhar com ele."Momentos que se dão entre "intervenções na rua e reuniões de trabalho", conta.

Henrique Joaquim garante que tem "aprendido imenso" e que tem "posto [o que aprende] ao serviço dessa causa". Por considerar que esta é uma luta de todos, o coordenador do Plano Nacional do Governo para as pessoas em situação de sem-abrigo defende que a defesa da causa não se deve prender com cores políticas.

"Em todo o espetro político, termos forças envolvidas, e termos o Presidente envolvido, permite compreender que esta não é uma causa partidária. É uma causa política, mas está acima dos partidos."

Nesse sentido, considera Henrique Joaquim, "é fundamental ser uma causa nacional e que todos nos sintamos envolvidos". O novo coordenador argumenta, no entanto, não ser nem antipolítico nem antissistema, até porque "o sistema é fundamental, a política é crucial".

Revê-se no projeto que o Governo tem alinhavado para combater a exclusão social, e foi fundamentalmente por isso que aceitou este convite. "Identifico-me essencialmente com a estratégia que está a ser posta em prática neste segundo ano do plano de ação, complemente alinhado e em sintonia com o Governo para esta área, e a capitalizar a minha experiência profissional e pessoal para que esta seja uma mais-valia."

Utopia, ambição e metas audaciosas

Utopia e ambição são fatores cruciais para fazer resultar o que foi idealizado. "Se nós não tivermos uma utopia que nos oriente, caímos num praticismo que não nos leva a lado nenhum. Quando isso acontecer, serei o primeiro a dizer que não estou ao serviço", salienta Henrique Joaquim.

Eliminar o problema de ter pessoas a viver nas ruas não é um mero idealismo vazio, na perspetiva do coordenador que esta quinta-feira inicia funções. "Enquanto acreditar nisso, e hoje acredito ainda mais, principalmente depois destes oito anos, vale a pena. O meu maior sonho enquanto assistente social é deixar de ser necessário."

Apesar disso, não se escusa a apelar à concretização de um objetivo ambicioso: "Seria extraordinário para o país conseguir dizer que esta estratégia faz sentido para prevenir que outras pessoas caiam nesta situação, mas que já não é necessária, ou é residualmente necessária, para as que já estão nela."

Henrique Joaquim não tem dúvidas de que "o problema não se prende com dinheiro". E explica este argumento: "Nos últimos dois meses, foram tomadas algumas decisões que não implicam necessariamente mais gasto de dinheiro, mas que agilizam situações que podem ser uma janela de oportunidade, como foi o caso de equiparar as pessoas em situação de sem-abrigo para acesso a estágios, ou o caso de reforçar os procedimentos de atendimento nos serviços de Segurança Social, independentemente da morada das pessoas."

O Orçamento do Estado prevê alocar 7,5 milhões de euros na materialização deste plano do Governo. Henrique Joaquim defende, no entanto, ser "necessário um reforço de verba", aplicado às prioridades já identificadas, "ao nível da habitação e do emprego". Depois, será preciso, à medida que o plano for aplicado, "atualizar o diagnóstico regularmente".

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