Novo presidente da Comunidade Islâmica garante manutenção da "sapiência" e "bom senso"

Mahomed Iqbal sucede a Abdool Vakil à frente da comunidade.

O novo presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa (CVIL) assegurou hoje à agência Lusa que a "sapiência" e o "bom senso" vão manter-se como apanágio da nova direção, apontando como prioridades a juventude, a mulher e o diálogo inter-religioso.

Mahomed Iqbal, 61 anos, falava à Lusa após ter tomado posse como presidente da CIL, numa cerimónia que decorreu na Mesquita Central de Lisboa, sucedendo a Abdool Vakil, que esteve 33 anos à frente da comunidade e que hoje garantiu à Lusa que pensa criar agora uma fundação para apoiar os mais desfavorecidos.

"O bom senso é um dos pilares da sociedade. Todas as pessoas que estão dispostas a atuar de acordo com o bom senso têm um objetivo positivo na sua conduta e isso é bastante importante. A sapiência é algo que nos traz tranquilidade e paz e é essencial tê-las na nossa mente, no nosso quotidiano. A combinação das duas ajuda a compreender melhor a fazer a entrega daquilo que os outros precisam", afirmou.

Indicando que vai recusar falar sobre política, ou comentar questões políticas -- "o que eu não quero fazer é ter opiniões políticas específicas que possam fazer entender que são da CIL" -, Iqbal lembrou que a ação da direção da comunidade defende que "tudo tem a ver com o bem", e que irá "apelar para a calma e segurança".

"Eu, como presidente, vou estar envolvido nisso, sem sombra de dúvidas. Eu sou o representante da média daquilo que pensam os membros e os órgãos sociais da CIL", afirmou.

"Obviamente, irei sempre envolver-me em tudo aquilo que for necessário para ajudar os que necessitam em calamidades, apelar à calma quando, para isso, a comunidade for chamada, porque tudo isso é no sentido positivo", sublinhou.

Iqbal, natural de Maputo, onde nasceu a 01 de junho de 1959, defendeu também que uma das questões essenciais da CIL é a de ter "uma relação específica num espírito de paz e de harmonia inter-religioso e intercomunitário com outras comunidades", bem como com outras religiões, com ateus ou agnósticos.

"É tentar fazer com que esses valores muçulmanos sejam benéficos para a sociedade onde estamos inseridos", frisou Iqbal, mestre em Economia pela London School of Economics (LSE) e que trabalhou como economista na Meesperson, um banco de investimentos ligado aos holandeses da ABN Amro, e agora está no Grupo Efisa.

Sobre as prioridades dos três anos de ação, os assuntos religiosos, o diálogo inter-religioso, a fé islâmica, a juventude e inovação, a cultura e o desporto, a afirmação do papel sócio-religioso, os valores, ética e responsabilidade e o bem estar social das famílias, bem como valorizar o papel da mulher na comunidade islâmica, são os fatores "essenciais" para o cumprimento dos pilares do Islão.

Deixando elogios ao predecessor, Iqbal lembrou que foi "muito" o que aprendeu com Abdool Vakil, entretanto nomeado como presidente honorário da CIL, ao longo dos últimos anos, quer no Grupo Efisa quer como vice-presidente na comunidade.

Vakil, por seu lado, também em declarações à Lusa, defendeu que a nova direção da CIL "está bem entregue" e que pretende criar uma fundação.

A intenção, entre outros objetivos, prosseguiu, é ter uma fundação, "uma entidade suprema", que alimente no futuro a Comunidade Islâmica em Portugal, atualmente estimada em cerca de 50.000 pessoas, embora já tenha atingido os 75 mil membros.

O novo presidente da CIL foi eleito a 28 de junho, com 64 dos 77 votos expressos, números que Iqbal, no discurso da posse, lembrou que constitui uma participação importante, uma vez que apenas cerca de 100 associados têm as quotas em dia.

A Comunidade Islâmica de Lisboa foi constituída em 1968 por um grupo de universitários muçulmanos - entre os quais Abdool Vakil -, que, na altura, se encontravam a estudar na capital portuguesa, oriundos dos antigos territórios então sob administração portuguesa.

A primeira solicitação de um terreno, feita à Câmara Municipal de Lisboa para a construção de uma Mesquita, foi feita em 1966, por uma comissão composta por cinco muçulmanos e cinco católicos. No entanto, só em setembro de 1977 foi cedido um terreno na avenida José Malhoa, junto à praça de Espanha.

O lançamento da primeira pedra aconteceu em janeiro de 1979 e a inauguração da primeira fase de construção realizou-se em 29 de março de 1985.

A Mesquita Central de Lisboa é um projeto dos arquitetos António Braga e João Paulo Conceição, e o seu imã é o xeque David Munir.

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