Números da pobreza "estão camuflados". Pedidos de ajuda à Cáritas crescem cada vez mais

A presidente da Cáritas, Rita Valadas, diz à TSF que os números revelados pela Pordata relativamente à pobreza em Portugal estão "camuflados por medidas que foram assumidas e que protegeram quer as pessoas, quer as empresas, de situação críticas no emprego e nas suas dívidas", no período da pandemia.

A presidente da Cáritas teme que existam muitas situações de pobreza camuflada em Portugal. Os números divulgados este domingo pela Pordata apontam para um milhão e seiscentos mil portugueses em risco de pobreza.

Rita Valadas recorda, em declarações à TSF, que a Cáritas recebe cada vez mais pedidos de ajuda.

"Aquilo que não acredito é que tenha havido uma variação para baixo numa situação pandémica como a que nós vivemos, porque a pressão sobre os pedidos foi crescente e não decresceu", explica, considerando que "estes números estão almofadados por medidas que foram assumidas e que protegeram quer as pessoas, quer as empresas, de situação críticas no emprego e nas suas dívidas".

A Cáritas teme ainda pelo aumento da pobreza com o fim das medidas extraordinárias e temporárias para apoiar as vítimas da crise, dado que "as pessoas vão voltar a ter despesas com o fim do teletrabalho, como a alimentação fora de casa e os transportes, o que vai corresponder a alguma pressão sobre os orçamentos das famílias".

Rita Valadas lembra as moratórias para pagar empréstimos bancários, referindo que a "realidade do rendimento que as pessoas têm hoje não é igual a 2019".

Mais de 1,6 milhões de portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza, ou seja, com menos de 540 euros por mês, uma realidade que afeta famílias numerosas, mas também quem vive sozinho, idosos, crianças, estudantes e trabalhadores.

Ter um emprego não é garantia de não se ser pobre e Portugal está, aliás, entre os países da Europa com maior risco de pobreza entre trabalhadores.

Segundo uma análise feita pela Pordata, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), quando se assinala o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, em 2020, 9,5% da população empregada em Portugal era considerada pobre, ou seja, vivia com rendimentos inferiores ao limiar da pobreza, que, nesse ano, situava-se nos 540 euros mensais.

Uma situação em que Portugal só é ultrapassado pela Roménia (14,9%), Espanha (11,8%), Alemanha (10,6%), Estónia (10%), Grécia (9,9%), Polónia (9,6%) e Bulgária (9,6%), sendo que em alguns países europeus, no caso a Finlândia e a Bélgica, o risco de pobreza não chega a atingir 5% da população empregada.

* com Lusa

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