O borrego está mais caro, mas não é por causa da Páscoa

Os preços da carne subiram devido à procura internacional.

A procura internacional de borregos criados no Alentejo disparou nos últimos tempos, elevando o preço dos ovinos para valores nunca antes vistos. Uma nova realidade que passa ao lado da Páscoa.

"O facto de termos este nível de exportação fez subir consideravelmente o preço do borrego. E não baixou na Páscoa", atesta a produtora Inês Dragão, recordando como antes da venda para exterior o negócio era muito menos apetecível.

"Há uns anos, mesmo que o preço do borrego subisse na Páscoa, era tão insignificante que o consumidor nem notava. O preço do borrego era baixo e com muito pouco consumo", relata a produtora do Monte da Sancha, no concelho de Arronches, com paisagem florida a perder de vista até à serra de São Mamede.

Há, ainda assim, uma curiosidade para esta Semana Santa que Inês Dragão tem detetado entre os seus clientes. Há os habituais, mas chegaram novos compradores. "Entrámos numa nova era da alimentação, onde procuramos tudo o que é o biológico e tenho notado muito o regresso às raízes da procura do borrego, diretamente do campo para a mesa".

Explica que a qualidade da produção que gere assenta na alimentação das progenitoras, habilitando-as a amamentarem as crias até às sete semanas. É nesta altura que os borregos são retirados às mães - estas vão para o campo - ficando no ovil, alimentados a ração.

É aqui que a produtora faz um parêntesis. "Sim, os animais são alimentados a ração. Ainda há mitos à volta disto, mas importa esclarecer que hoje as rações são cuidadas, estudadas e tratadas para que o borrego, ou outro animal, possa crescer com garantia de qualidade".

Os borregos que vão à mesa são impedidos de ir ao campo. Inês Dragão chama-lhes "borregos branquinhos", justificando que são criados com "toda a sanidade até chegarem aos 23 quilos". Peso com o qual são vendidos, tendo a produtora a garantia de qualidade da empresa Pasto Alentejano, líder na produção internacional, com sede em Sousel.

"É uma mais-valia, porque nós sabemos para quem estamos a produzir. Eles distribuem com qualidade, dando continuidade à qualidade com que nós produzimos", assume.

No Monte da Sancha são vendidos à ordem de mil borregos por ano, mas a partir de 2022 o aumento do efetivo para cerca de mil ovelhas vai permitir colocar no mercado 1700 exemplares anuais.

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