O padre que queria ser julgado

O padre José Martins Júnior nasceu no Machico, na Madeira, e é um verdadeiro rebelde.

Tem 81 anos este padre rebelde, nascido no Machico, no arquipélago da Madeira. Ordenado em 1962, tudo mudaria, no entanto, na vida deste sacerdote católico, após a nomeação para pároco de Ribeira Seca, no dia 22 de junho de 1969.

O padre José Martins Júnior foi ainda professor de diversas escolas madeirenses e capelão militar, durante dois anos, na guerra colonial.

Estava de pedra e cal o padre Martins na sua paróquia de Ribeira Seca. O 25 de Abril dar-lhe-á mais gás nas suas reivindicações de caráter político e social. A 5 de Novembro de 1974, o bispo ao tempo, D. Francisco Santana trata-o de traidor e intenta expulsá-lo da paróquia com recurso a forças policiais. O povo, sempre ao seu lado, não o consentiu.

A 27 de julho de 1977, o prelado suspende-o "a divinis", retirando-lhe todos os poderes eclesiásticos. D. Teodoro de Faria, o bispo subsequente, confirma a condenação e, a par de Alberto João Jardim e quarenta elementos policiais tenta, de novo, retirá-lo da Ribeira Seca. As normas da Concordata caiem-lhe em cima por abuso funções e uniforme. Martins Júnior sai, contudo, livre após contendas com o Ministério Público. As tentativas de diálogo de outro bispo, D. António Carrilho, que resignou recentemente também não chegaram a bom porto.

"Os mistérios das simbólicas"

Politicamente o padre Martins desdobra-se em intervenções constantes, entre grandes polémicas partidárias. É eleito presidente da Câmara do Machico pela UDP, sendo reeleito, em 1993, pelo PS. Candidatou-se e foi eleito, por sete vezes, como deputado da Assembleia Legislativa Regional.

Recebeu em 1995, no dia de Portugal, das mãos de Mário Soares, as insígnias de comendador.

Inopinadamente, quando insiste que quer ser julgado pela Igreja Católica, o novo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, anuncia-lhe o perdão canónico e a reintegração oficial como pároco de Ribeira Seca, na tarde de 14 de julho, com festa pública e a presença do prelado. Em recentes declarações disse que isto são " mistérios das simbólicas

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