O que guardam os arquivos do Museu de História Natural e da Ciência da UP

São milhares de peças que fazem parte do acervo do Museu, mas só uma pequena parte é mostrada ao público. Entre objetos com mais de 3 mil anos, uma biblioteca de madeiras ou escaravelhos rinocerontes.

Entre objetos pré-históricos, ânforas com mais de 3 mil anos, coleções de armas ou de sapatos, a coleção de arqueologia e etnografia tem mais de 130 mil peças. Rita Gaspar, curadora de Arqueologia, Etnografia e Antropologia biológica do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, é a nossa guia.

"Esta é a única reserva de origem e que está localizada no seio da Reitoria. Aqui temos, por exemplo, armas, muitas foram trazidas por militares que estavam em serviço fora ou por colecionadores, diplomatas, homens do clero que estavam fora e traziam o que lhes era mais estranho. Uma outra peça que vou mostrar é um escudo de uma proa de canoa da Papua Nova Guiné, vem de uma campanha alemã de 1912, tem mais de cem anos, as comunidades eram bastante bélicas e moviam-se em canoas. Este escudo, com uma face bastante agressiva, representa o espírito do clã e serve para proteger o grupo de homens que vai na canoa. É feito apenas com materiais vegetais", conta.

Rita Gaspar explica que no arquivo de arqueologia e etnografia vemos também potes pré-históricos com mais de três mil anos. "É interessante as pessoas perceberem que os materiais aqui presentes têm cronologias diferentes, temos peças com 9 mil anos. Estas coleções reúnem mais de 130 mil objetos."

Das reservas de arqueologia e etnografia seguimos para o núcleo de entomologia, guiados pelo curador José Manuel Grosso. "Esta reserva tem condições controladas de humidade, temperatura, luz e tem estes armários rolantes onde as coleções são armazenadas. Na primeira parte, temos a coleção em meio líquido, depois vários grupos de vertebrados e, por fim, a parte da entomologia, com os exemplares preparados a seco e de forma tradicional. No meio líquido, vemos peixes, anfíbios, invertebrados marinhos. Depois temos répteis, anfíbios, etc." José Manuel Grosso explica que "muitas destas peças estão no museu há cem anos, mas têm proveniências muito diferentes".

Foi aqui que, há 10 anos, identificaram, pela primeira vez, a vespa asiática.

A viagem pelos bastidores do Museu de História Natural e da Ciência termina no Herbário. Cristiana Vieira é a curadora. "Podemos encontrar desde substâncias vegetais guardadas em frascos, substâncias que tinham princípios ativos para fins medicinais. Aqui temos as pastas de herbário, onde guardamos quase cem mil espécimes, plantas desidratadas e prensadas, que depois são arquivadas."

Cristiana Vieira destaca dois objetos da vasta coleção: uma xiloteca e uma prensa. "A planta é um organismo tridimensional, quando a queremos guardar para sempre temos que achatar, prensar, para desidratar devagarinho entre papéis de mata-borrão ou jornal. Vamos gerindo a força da prensa, sem que nunca se percam os ângulos da folha em relação ao caule, sem que nunca se percam os órgãos. A outra peça que quero destacar é menos óbvia e é sobre como guardar outras coisas. Como guardar uma árvore para sempre, por exemplo? As folhas, os caules, as flores estão aqui achatadas e guardadas, mas as características do tronco, do caule, de uma árvore? Uma das formas é fazendo uma xiloteca, ou seja, uma biblioteca de madeiras. Esta é uma xiloteca das árvores de S. Tomé e Príncipe, foi trazida por um professor universitário que viveu lá cerca de quatro anos, a colher toda a flora. Trouxe bocados de madeira, que mandou talhar, como um livro pequenino e que depois é guardado nesta caixa. Tudo etiquetado com o nome comum da planta, onde foi colhido, etc."

O Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto organiza visitas às reservas, com o máximo de quatro pessoas por grupo. Através do e-mail visitas@mhnc.up.pt é possível agendar a visita e obter mais informações.

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