O que leva António Costa (e qualquer vacinado) a ficar isolado se tiver um contacto de risco?

Especialista detalha as razões de uma medida que pode gerar alguma confusão, inclusive ao Presidente da República.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia compreende os receios de Marcelo Rebelo de Sousa, mas diz que, por enquanto, faz mesmo sentido aplicar as regras de isolamento para vacinados que contactaram com pessoas infetadas com Covid-19.

Os pedidos de esclarecimento do Presidente da República às autoridades de saúde surgiram depois do isolamento imposto a António Costa após este ter estado em contacto com dois infetados, apesar de estar vacinado, ter o certificado de vacinação e ter um teste negativo.

António Morais, presidente da sociedade científica de pneumologia, explica à TSF que é preciso esperar pela imunidade de grupo (que vai demorar a ser atingida) e a ciência ainda não dá garantias sobre o contágio.

"As pessoas podem estar vacinadas e mesmo assim podem ser infetadas, só que em princípio, na grande maioria das circunstâncias, essa infeção não vai ter a gravidade que teria antes. Aquilo que vamos sabendo é que a infeção em vacinados é mais rara, mas não é ausente, pelo que quem tem a possibilidade de ter a infeção deve continuar a tomar as medidas de precaução enquanto existem muitas pessoas não vacinadas", detalha o especialista.

António Morais recorda, por exemplo, a quarenta imposta recentemente pela Alemanha a quem vem de Portugal, mesmo para quem já está vacinado e tem o certificado europeu de vacinação ou infeção curada.

O fim da imposição de medidas temporárias de isolamento - como aquela que foi aplicada ao primeiro-ministro - só poderá acontecer depois da imunidade de grupo e "vamos ver quando é que isso acontecerá pois com variantes mais contagiosas a imunidade de grupo exigirá um maior número de pessoas vacinadas face ao inicialmente calculado que apontava para 70%", avisa o pneumologista.

António Morais admite que tal como teme o Presidente da República se passe a ideia de que a vacina não serve para nada, mas sublinha que a vacina serve mesmo para alguma coisa: "Tanto serve que mesmo sem imunidade de grupo, apesar do aumento de casos, a pressão sobre os serviços de saúde não é a mesma e a mortalidade diminuiu francamente", conclui.

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