O vírus muda e torna-se mais perigoso? Quantas estirpes existem do novo coronavírus
Covid-19

O vírus muda e torna-se mais perigoso? Quantas estirpes existem do novo coronavírus

Começou a circular há poucos meses e já fez parar o mundo. O novo coronavírus conseguiu, em pouco tempo, obrigar governos, cidadãos e investigadores a entrarem numa luta contra o relógio para conter a pandemia da Covid-19. Depois de um estudo ter avançado que existiriam duas estirpes do mesmo vírus, uma mais perigosa do que a outra, a TSF procurou junto do virologista Celso Cunha, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, a resposta a várias questões: Quantas estirpes do novo coronavírus existem realmente? Há estirpes mais perigosas do que outras? É verdade que o vírus está a mudar?

Quantas estirpes existem?

Dizer quantas estirpes do novo coronavírus (SARS-CoV-2) existem "é difícil", adianta o virologista Celso Cunha. Isto porque, apesar de um estudo apontar para a existência de duas estirpes - "uma mais antiga (que se designaria por S) e outra mais recente (a L)" - essa informação não reúne ainda o consenso da comunidade científica.

O estudo em causa, explica Celso Cunha, baseia-se na sequenciação do genoma do vírus de 103 pacientes. O código genético do vírus terá revelado que "79 dos pacientes estariam num determinado grupo [com um vírus da estirpe L] e 24 noutro determinado grupo [da estirpe S]".

Há cientistas que afirmam até que "as diferenças entre estas duas estirpes que foram identificadas são tão pequenas que não são sequer suficientes para as classificarmos como diferentes, mas apenas como variantes do vírus."

Uma estirpe é mais perigosa do que a outra?

A confirmar-se que existem duas estirpes, não há, de acordo com o especialista, evidência suficiente para afirmar que uma é mais perigosa do que a outra, ou seja, "as diferenças que existem não são suficientes para justificar uma diferente propagação ou agressividade do vírus."

De acordo com o estudo que avança com a teoria das duas estirpes, a estirpe L estará em circulação em Itália, o que pode levar a saltar para conclusões sobre ser uma estirpe mais agressiva, tendo em conta o número de mortos no país. No entanto, Celso Cunha esclarece que tal "pode não ser totalmente verdade", uma vez que os dados "podem estar enviesados, devido à composição demográfica da Itália", ou seja, como a população italiana está mais envelhecida há maior probabilidade de a Covid-19 ser letal, tendo em conta que os idosos são a faixa etária que mais morre com a infeção.

O vírus está a mudar?

Celso Cunha é perentório: "Os vírus estão sempre a sofrer mutações", sobretudo os que, como é o caso do SARS-CoV-2, contêm a molécula RNA (ácido ribonucleico), uma vez que, "a natureza não fabricou maquinarias e mecanismos que conseguissem reparar esses erros".

Ainda assim, o virologista considera que o novo coronavírus poderia ter sofrido muito mais mutações do que as 200 variantes até agora sequenciadas, tendo em conta que tem um genoma (um código genético) grande. Tal não aconteceu, porque o SARS-CoV-2 tem uma proteína "capaz de corrigir alguns dos erros que são feitos durante a replicação".

Mas será que as mutações que ocorrem no vírus o tornam mais letal ou mais fácil de transmitir? Sim e não. Apesar de o especialista adiantar que "a maior parte desses erros, provavelmente, não tem influência sobre a capacidade de multiplicação do vírus e sobre a sua infecciosidade", a pressão seletiva da natureza ​​​​​​"pode levar a que surjam algumas variantes que se adaptem melhor, por exemplo, a replicar no Homem ou a ser mais infecciosas, agressivas ou resistentes a determinados fármacos. "

Enquanto a comunidade científica tenta descobrir como evolui o vírus e quais as consequências destes erros, ficam em aberto várias questões: "Será que estas mutações vão ter uma implicação na vacina que está a ser preparada? Será que a vacina que nós vamos preparar contra o vírus que está neste momento predominantemente em circulação vai ser eficaz no próximo ano ou daqui a dois anos quando houver mais mutações acumuladas no vírus?" São perguntas às quais só o tempo (e a ciência) poderá responder.

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