Odemira ameaça com cerca sanitária se Governo não mudar cálculo de risco da Covid-19

Odemira tem bem mais de 10 mil estrangeiros na agricultura que não entram nas contas. "Não é justo tratar o que é diferente de forma igual".

A Câmara Municipal de Odemira admite aplicar uma cerca sanitária no concelho para evitar novos casos de Covid-19 se as autoridades de saúde não mudarem a forma como calculam a taxa de incidência que define as linhas vermelhas do Governo para confinar ou parar de desconfinar.

Odemira é um dos concelhos em risco de não desconfinar daqui a 2 semanas por ter, segundo os últimos dados da Direção-Geral de Saúde (DGS), mais de 240 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

O presidente da autarquia, José Alberto Guerreiro, explica à TSF que o problema é que metade das pessoas que estão hoje no concelho não são oficialmente residentes.

Não podemos entender que quando se faz o cálculo do índice se conte apenas a população residente. Conheço concelhos que se queixam deste método de cálculo, mas têm apenas centenas ou um milhar de estrangeiro. Em Odemira a realidade é bem diferente: oscila entre um terço a metade da população consoante a época do ano", refere o autarca que sublinha que nestes meses, até maio, estaremos no pico das colheitas agrícolas na região, "com um fluxo de migrantes bastante significativo".

O eleito de Odemira afirma que "se a situação não se alterar e se se mantiver o modelo de cálculo vamos, obviamente, ver-nos forçados a propor, eventualmente, uma cerca sanitária a Odemira para que não haja novos infetados a chegar".

José Alberto Guerreiro diz que tem poderes para decidir essa cerca sanitária e lamenta o comportamento despreocupado de vários dos imigrantes em relação à pandemia.

Odemira tem cerca de 25 mil residentes, mas mais 12 a 15 mil pessoas, por estes meses, a trabalhar na agricultura.

"Que não venha a ser necessário criar algumas restrições à circulação em Odemira e, por isso, este apelo muito forte e ao mesmo tempo muito ameaçador de que se for necessário avançaremos com medidas mais fortes porque da saúde pública nós tratamos e está em primeiro lugar", avisa o presidente do município".

"Não é justo e minimamente sensato tratar o que é diferente de forma igual", conclui José Alberto Guerreiro.

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