Ómicron terá maior facilidade do que outras variantes "em infetar pessoas com alguma imunidade"

João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, explicou que a variante Ómicron apresenta mutações ao nível da ligação do vírus aos anticorpos.

O epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), João Paulo Gomes, explicou, esta sexta-feira, na conferência de imprensa em que foi feito o ponto de situação sobre a pandemia de Covid-19, que a variante Ómicron parece infetar melhor pessoas que já tenham anticorpos contra o SARS-CoV-2, devido às mutações que apresenta,

A maior transmissibilidade desta variante "deve-se sobretudo a dois fatores: o primeiro é o tipo de mutações que tem. Faz com que, reconhecidamente, sejam mutações associadas à zona do vírus que se liga às nossas células e, por isso, o vírus entra melhor, infeta melhor. Por outro lado, algumas dessas mutações afetam, aparentemente, a ligação aos nossos anticorpos. Portanto, em teoria, "terá maior facilidade em infetar pessoas com algum grau de imunidade".

Não há, também, "qualquer indicação" que os testes existentes no mercado sejam menos eficazes contra a variante Ómicron.

Sobre alguns estudos que têm sido citados e que apontam para uma transmissibilidade da Ómicron muito superior à da Delta, João Paulo Gomes garantiu que tal "está muito longe de ser verdadeiro". Os resultados desses estudos apontavam que a Ómicron teria uma transmissibilidade 70 vezes superior, algo que não pode ser concluido devido À metodologia de teste. Ainda assim, reconhece, "é muito mais transmissível do que qualquer outra variante que tenha circulado em Portugal".

Esta quinta-feira, e segundo dados laboratoriais, "cerca de 20% dos casos de Covid-19 no país" seriam causados pela Ómicron, segundo amostras com diversidade geográfica.

"Estimamos que no fim do ano mais de 90% dos casos já sejam causados pela Ómicron", estimativas que estão em linha com as da Dinamarca e Reino Unido.

Ómicron com prevalência estimada de 20%. Chega aos 50% no Natal e 80% no final do ano

A Ómicron é uma "nova dificuldade" e até às 14h00 de 14 de dezembro tinham sido sequenciados "69 casos desta variante pelo INSA".

A estimativa da presença da variante revela que a prevalência "ronda já os 20%", podendo "chegar a 50% na semana do Natal e a 80% na semana da final do ano".

A efetividade vacinal após dose de reforço é estimada "ainda em 70% a 75%".

Curva da Ómicron é " quase um arranha-céus"

"O tradicional formato de evolução da curva da incidência é substituído por uma parede, quase que um arranha-céus de casos", explica Marta Temido, em relação ao que se observa noutros países relativamente à Ómicron.

"Todos temos de estar preparados para fazer mais", avisa a ministra da Saúde.

*Notícia atualizada às 11h00 de dia 18, para sublinhar que a maior facilidade de infeção da Ómicron em pessoas com algum grau de imunidade é estabelecida na comparação com as outras variantes

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