Ordem dos Engenheiros defende construção do novo aeroporto em Alcochete

Os engenheiros acreditam que o novo aeroporto será mais eficiente e acarretará menos riscos se for construído em Alcochete, em vez de no Montijo.

A Ordem dos Engenheiros afirma que é sensível à questão financeira, mas reafirma que Alcochete é a melhor solução para o novo aeroporto na área metropolitana de Lisboa. O bastonário Carlos Mineiro Aires defende desde 2009 todos os estudos apontam Alcochete como a melhor localização, mas, devido ao resgate financeiro de que o país foi alvo e com a privatização da ANA - Aeroportos, Portugal perdeu a soberania aeroportuária.

O bastonário da Ordem dos Engenheiros aponta como argumentos a favor do novo aeroporto em Alcochete, o facto de os aviões não irem sobrevoar "áreas densamente populacionais" e de ser uma zona onde "o problema do choque contra aves", verificado no Montijo, "não existe".

Mineiro Aires sublinha que o aeroporto em Alcochete seria uma solução "à semelhança do que existe por toda a Europa e todo o mundo": um aeroporto "distante da cidade, com capacidade de expansão e que tem condições para ser construído faseadamente, se necessário".

"É um aeroporto que tem todas as condições para não ter impactos e suficientemente perto da capital para ser eficiente", resume o bastonário dos Engenheiros.

Pelo contrário, a construção do aeroporto do Montijo, argumenta Carlos Mineiro Aires, implica problemas comprovados por estudos de impacto ambiental e que, nas aproximações e descolagens, os aviões causem ruído e sobrevoem "áreas densamente populadas".

Além disso, nota Mineiro Aires, o aeroporto é hoje "operado com aviões militares, que são, basicamente, aviões a hélice - coisa substancialmente diferente de aviões a jato, que funcionam por sucção". "Aí o problema tem outra dimensão", comenta o bastonário dos engenheiros.

"A pista existente não serve; vai ter de ser substancialmente alterada - vai ter de ser prolongada e reforçada em termos de pavimentação", o que tem "custos associados", lembra

E até em termos de acessibilidades ao aeroporto, os engenheiros não estão convictos de que "as soluções fluviais e terrestres encontradas sejam as melhores".

Questionado sobre a intenção do Governo de alterar a lei, com o objetivo de impedir que as autarquias possam travar a construção do novo aeroporto no Montijo, o bastonário da Ordem dos Engenheiros defende que o Executivo está a querer alterar as regras a meio do jogo.

"É um imbróglio político que caberá aos políticos desatar", atira Mineiro Alves.

Sendo sempre a última das opções, Mineiro Aires considera, no entanto, que um aeroporto no Montijo será melhor do que nenhum aeroporto, mas sublinha que o Governo deve estudar bem as alternativas e os custos da obra, antes de avançar com a construção.

"É melhor ter o Montijo do que não ter nada. Se calhar, diria até que é inevitável. Mas ser inevitável não quer dizer que seja bom", contrapõe. "Vale a pena pensar, vale a pena renegociar e vale apena saber quanto é que as coisas custam - e saber exatamente que outras portas se podem abrir."

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