Ordem dos Médicos garante que clínicos não se recusam a tratar de doentes de Reguengos

Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, explica à TSF que os profissionais de saúde não concordam com o plano delineado pela ARS Alentejo, já que consideram que devem prestar os cuidados no hospital e não no lar.

Está instalada a tensão entre a Administração Regional de Saúde do Alentejo e a Ordem dos Médicos. O conflito surge na sequência do maior surto da região desde o início da pandemia, que se verifica em Reguengos de Monsaraz.

Os clínicos destacados pela ARS para tratar dos utentes na unidade criada para o efeito, em Reguengos, recusaram ser destacados para a localidade para acompanhar os infetados do lar de Reguengos. No entanto, os profissionais de saúde negam que tenham recusado tratar dos doentes.

A Administração Regional de Saúde do Alentejo disse ao jornal online Observador que os médicos dos hospitais da região não aceitaram reforçar a equipa de saúde que está a prestar cuidados aos utentes infetados no lar, um surto de Covid-19 que já provocou 14 óbitos.

Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, explica à TSF que os profissionais de saúde não concordam com o plano delineado pela ARS Alentejo, já que consideram que devem prestar os cuidados no hospital e não no lar. "O serviço que se pretende prestar a estes doentes que estão em Reguengos de Monsaraz não está claramente limitado. Nós não percebemos se se trata de um hospital, porque não existe um diretor clínico, nem cadeias ou equipas próprias a trabalhar", salienta Alexandre Valentim Lourenço, que critica a "distribuição avulsa de médicos, sem competências e deslocados dos sítios onde deveriam fazer o exercício profissional".

"Estamos a retirar médicos de unidades de medicina interna de vários hospitais do Alentejo para ir para um sítio que não é um hospital. Ou há lá doentes, uma hierarquia e um plano organizado - coisa que não existe -, ou então não há doentes e não é preciso deslocar profissionais muito qualificados de sítios de onde eles são muito precisos neste momento."

Na perspetiva da Ordem dos Médicos, "a ARS deverá também assumir a responsabilidade clínica dos acontecimentos que possam surgir, de não estar a organizar cuidadosamente o plano integrado de cuidados e de não estar a deslocar os doentes para onde eles precisam de estar, para os hospitais que fornecem esses cuidados". Se neste momento não há capacidade de organização nestas instituições, é preciso colocar os doentes em hospitais, defende ainda o representante do coletivo de médicos.

Numa carta enviada enviada ao presidente da ARS Alentejo, assinada por quase vinte coordenadores de Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados, a que a TSF teve acesso, os médicos questionam a legalidade da medida, acusam José Robalo de autoritarismo
e asseguram estar disponíveis para tratar os doentes.

Alexandre Valentim Lourenço garante que os "médicos nunca se recusaram a tratar destes pacientes", e sublinha que era bom que a "senhora ministra da Saúde tivesse uma intervenção, dado que, até agora, as capacidades da ARS do Alentejo têm sido mínimas na resolução desta situação".

O responsável da Ordem dos Médicos considera "uma vergonha falar-se de recusa de médicos", e afiança: "Os médicos, desde há três semanas - quando começaram os primeiros casos -, alertaram sistematicamente para a falta de condições para exercício e tratamento destes doentes. Os médicos nunca se recusaram a trabalhar em prol dos doentes, e todos os médicos envolvidos no problema de Reguengos têm mostrado disponibilidade para trabalhar permanentemente."

"Tivemos a demissão da diretora geral do ACES, do diretor clínico, e 19 coordenadores dizem que não têm condições para trabalhar." Alexandre Valentim Lourenço defende que as queixas dos clínicos têm demonstrado a "incapacidade da ARS do Alentejo para resolver o problema".

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