Os alertas de um sobrevivente da pandemia

O psiquiatra Daniel Sampaio colocou em livro a experiência de infeção com Covid-19 e a recuperação que se seguiu.

No início deste ano, Daniel Sampaio esteve quase dois meses internado, parte dos quais em coma induzido, nos cuidados intensivos do hospital Santa Maria, em Lisboa, no auge da pandemia. Foram 50 dias em que o médico foi doente, e isso não ajuda.

Daniel Sampaio conta que o técnico de saúde "sabe o que está a acontecer", e a "gravidade" da doença. Concretamente, o psiquiatra percebeu que contraiu uma infeção hospitalar.

Passados os momentos mais críticos, Daniel Sampaio começou a tomar notas que resultaram agora no livro "Relato de um sobrevivente" (edição Planeta).

O relato passa por uma reaprendizagem de movimentos básicos do corpo, que passaram de ser possíveis, por ação do vírus. E também pela dificuldade de estar sozinho nos cuidados intensivos onde, já desperto, tinha a companhia de dois doentes em coma induzido.

Daniel Sampaio reconhece que, para ultrapassar a doença, teve de "recorrer às memórias dos familiares e dos amigos, à vida que passou e à futura".

Já recuperado, e sem consequências graves, o psiquiatra está receoso do que pode acontecer depois desta pandemia, em termos de saúde mental, e confessou que já começa a confirmar esses receios nas consultas que entretanto retomou. Há casos de "ansiedade, insónias e, até, ataques de pânico".

Sobre o efeito nos jovens, Daniel Sampaio destaca a falta de escola, até nos alunos do ensino superior, que perderam uma fase do desenvolvimento.

"Há alunos que tiveram dois anos de aulas online, e que mantêm os amigos do secundário, porque não conhecem os atuais", desabafa Daniel Sampaio.

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