Os profissionais que fazem funcionar o CAM Covid-19

Militares e civis de várias especialidades fazem mexer, todos os dias, um hospital que começou com tr​​​​​​ês doentes e que foi recentemente uma válvula de escape dos maiores hospitais da grande Lisboa.

Nasceu como uma estrutura militar, que servisse de retaguarda às unidades de saúde da grande Lisboa. Mas o aumento do número de casos desde o final do ano passado e a pressão causada pelo disparar dos internamentos, obrigou o Centro de Apoio Militar Covid-19 do Exército a ganhar capacidades.

Nessa altura, já a convivência de pessoal militar com médicos e enfermeiros civis era uma constante. De um piso ocupado no antigo hospital das Força Armadas em Belém, a realidade obrigou a alargar para três pisos, triplicando a capacidade para 90 camas.

Num edifício que estava abandonado há sete anos, a transformação demorou apenas 3 meses e no final de junho de 2020 já tinha começado a nova vida do edifício construído há mais de cinco décadas para acolher os militares que chegavam da guerra, com doenças infecciosas.

Mariana Faria é médica civil e chegou ao CAM Covid-19, em novembro. Confessa à TSF que, como em tudo, "houve um período de adaptação", para depois acrescentar que esse ajuste acontece sempre às pessoas que chegam "a uma estrutura que já está oleada".

"Nunca tinha trabalhado numa unidade Covid", confessa à TSF.

Nas forças armadas, ser enfermeiro ou médico são especialidades. Quando uma força militar portuguesa é destacada para uma operação no exterior, estes especialistas acompanham a força.

Por estes dias, todos os que existem são poucos para ajudar nas unidades criadas. É o caso do CAM Covid-19 do Exército, em Belém.

E no caso do enfermeiros, a proporção é quase de 1 militar para cada 4 civis. Mas se os militares estão incorporados em permanência, já os civis só conseguem cumprir alguns turnos, alternando com as outras colocações profissionais.

O Major Ferreira coordena as equipas de enfermeiros e admite que tinha apreensão quando soube ao que vinha.

Hoje, sente uma grande realização profissional.

Numa unidade de retaguarda, a ideia é permitir aos doentes Covid iniciarem a recuperação. Em muitas situações é necessária uma reaprendizagem, até para respirar.

É aqui que entra o segundo sargento Miguel Amado, fisioterapeuta. Chegou logo no início ao CAM Covid-19 e tem pena que não consiga que todos os doentes que têm alta saiam do hospital 100% recuperados.

Inicialmente, o Centro de Apoio Psicológico do Exército era chamado a intervir sempre que aparecia um doente a necessitar de algum acompanhamento.

Mas, em pouco tempo, as equipas clínicas perceberam que era vantajoso ter um psicólogo em permanência nesta unidade, não só para responder a problemas dos doentes ali internados, mas também por causa dos profissionais.

O aspirante Monteiro sabe que quanto melhor estiver a cabeça, melhor o doente ou o profissional lida com esta situação.

As frustrações e até raiva, pela incompreensão por tudo o que a pandemia provoca, são problemas usuais para estes profissionais.

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