Ovar vai ter hospital de campanha e lar recebe equipa médica esta segunda-feira

Instalação médica vai funcionar na Arena Dolce Vita.

O Governo destacou para o lar da Misericórdia de Ovar uma equipa médica específica para monitorizar a condição dos seus 120 utentes e instalará também um hospital de campanha na Arena Dolce Vita, anunciou este domingo a autarquia local.

Essas medidas são anunciadas um dia depois de o presidente da Câmara ter acusado Segurança Social e Ministério da Saúde de prestarem "muito pouco apoio" aos esforços de contenção da Covid-19 no município, que está há mais de uma semana em estado de calamidade pública e sob cerco sanitário com controlo fronteiriço e interrupção de toda a atividade económica não essencial.

"Ontem [sábado] fiz um apelo muito grande ao Governo, porque precisávamos de ajuda e tínhamos esgotados todos os recursos municipais para poder fazer face a esta guerra contra a Covid-19 aqui no município, após aquele acontecimento na Santa Casa da Misericórdia de Ovar", começa por recordar Salvador Malheiro, em referência ao óbito que impôs testes de rastreio nos restantes utentes do lar e obrigou à reorganização do edifício, para que idosos sintomáticos fossem separados dos restantes.

Salvador Malheiro afirmou que "hoje é também de elementar justiça dizer, com muita satisfação, que há já o compromisso do Governo de que amanhã [segunda-feira] será colocada em permanência no lar da Santa Casa, onde estão 120 idosos, uma equipa de médicos e enfermeiros que irá permitir a monitorização permanente dessa nossa população mais sénior".

O presidente da Câmara anunciou ainda que o Governo se comprometeu a montar "um verdadeiro hospital de campanha" na Arena Dolce Vita, um pavilhão habitualmente reservado para provas desportivas ou concertos com grande afluência de público.

A instalação dessa estrutura de apoio clínico será coordenada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, terá uma capacidade de 100 camas e abrange também equipamento de saúde, sendo que o espaço poderá depois funcionar "como uma extensão do Hospital de Ovar".

Para Salvador Malheiro, é, portanto, de "agradecer e reconhecer a deferência do Governo para com a população de Ovar".

Com 148 quilómetros quadrados de área e cerca de 55.400 habitantes, esse município regista já mais de 200 casos confirmados de Covid-19, assim como oito óbitos - entre os quais o de um jovem de 14 anos que morreu esta madrugada no Hospital de Santa Maria da Feira, em princípio devido a complicações associadas a um quadro clínico de comorbilidades ainda a ser investigado pela Direção-Geral de Saúde.

O número de recuperados no concelho sob quarentena é de cinco pessoas, entre as quais também uma jovem de 17 anos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, foi detetado pela primeira vez na China em dezembro de 2019 e já infetou entretanto mais de 667.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 31.000 morreram.

Em Portugal, os primeiros casos foram identificados a 2 de março e o país regista hoje 119 mortes e 5962 infeções no país, sendo que, desses doentes, 348 estavam internados em cuidados intermédios, 138 em cuidados intensivos e 43 já foram dados como recuperados.

A 17 de março, o Governo decretou o estado de calamidade pública em Ovar e no dia 18 teve aí início um cerco sanitário que obriga ao controlo de entradas e saídas no território.

Desde as 00h00 do dia 19 de março, todo o país entrou no regime de estado de emergência, o que vigorará até às 23h59 do dia 2 de abril.

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