Pandemia afasta doentes terminais dos cuidados para evitar sofrimento

Pacientes estão a chegar em menor número e cada vez mais tarde aos cuidados paliativos

Os doentes com doenças graves ou incuráveis estão a chegar mais tarde aos cuidados paliativos, ou seja, aos cuidados que têm como objetivo diminuir a dor e dar mais qualidade de vida a quem, em muitos casos, sabe que já não vai viver muito tempo.

A denúncia é feita pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos que há anos que alerta para a falta e lentidão no acesso a estes cuidados.

O problema, agora, agravou-se, porque os doentes estão a chegar ainda mais tarde aos serviços de saúde por serem referenciados mais tarde.

A associação diz que já antes da pandemia 70% dos doentes portugueses que deles precisavam não tinham acesso a cuidados paliativos (mais de 8 mil crianças e adolescentes e 89 mil adultos com necessidades paliativas) e que a atual pandemia causou alterações drásticas no acesso aos cuidados de saúde, nomeadamente na referenciação paliativa, com números que certamente se têm agravado nos últimos meses.

O presidente, Duarte Soares, diz à TSF que "os doentes não covid, que já existiam, estão a chegar mais tarde e em cada vez menor número às equipas de cuidados paliativos devido às restrições implementadas pela pandemia que afastam o Serviço Nacional de Saúde dos doentes".

A associação defende que "se antes de um contexto pandémico as respostas em cuidados paliativos eram exíguas, agora essa falha tornou-se ainda mais evidente, os serviços não conseguem dar resposta à crescente necessidade e por isso há doentes sem assistência".

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos admite que as consequências desta situação são, na prática, o aumento do sofrimento destes doentes.

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