Pandemia em Portugal em fase exponencial, mas perceção de risco pode levar a "ponto de inflexão"

O matemático Carlos Antunes considera que a pandemia em Portugal ainda está em fase de expansão exponencial, mas, com os alertas veiculados na comunicação social, a população tende a ser mais cautelosa, o que pode conduzir a um ponto de inflexão.

Carlos Antunes baseia-se, "não numa folha Excel, mas em muitas folhas", muitos indicadores e muitos dados, tantos que "o Excel já nem consegue sequer ler", para concluir que o país ainda está a registar um aumento exponencial do número de casos de Covid-19 em todas as regiões e de forma transversal a todas as faixas etárias. No entanto, há sinais de que Portugal pode estar prestes a entrar num cenário mais favorável.

A confirmar-se a tendência atual, analisa o matemático, ouvido no Fórum TSF, pode estar perto o ponto de inversão no número de contágios, ou, pelo menos, uma estabilização das infeções. O investigador explica que tem vindo a ser assim: sempre que aumentam os alertas na comunicação social, aumenta a perceção do risco, e as pessoas tendem a ter mais cautela. "Quando aumenta essa perceção de risco, há uma mudança de comportamento das pessoas, as pessoas começam a ter um bocadinho mais de cuidado, a usar melhor a máscara e mais a máscara, evitar ajuntamentos", esclarece.

A monitorização da mobilidade deteta mudanças de comportamento, no sentido de uma maior responsabilidade e menos ajuntamentos, quando há mais alertas por parte dos jornalistas. "Só isso - este alerta que tem de ser dado na comunicação social - é suficiente para começar a dar já uma indicação que eu tenho, que é: o Rt está a estagnar o seu aumento", adianta o matemático.

De acordo com Carlos Antunes, esta variável "teve um ponto máximo de 1,25 - o Rt instantâneo - e já não está a mostrar capacidade de continuar a aumentar", o que pode constituir "já um indicador de que pode haver aquilo a que chamamos de um ponto de inflexão, em que o ritmo de aumento de casos diários começa a ser agora menor, que nos conduz para o pico da curva epidémica".

Para já é apenas um sinal. Por isso, Carlos Antunes defende que o Governo deve acolher medidas ligeiras que ajudem a baixar o ritmo de contágios. "Não podemos deixar o aumento de casos sem um limite, sob pena de entrarmos numa situação de colapso, não nos hospitais, mas nos serviços básicos de saúde primários, além de outras consequências que tem", advoga o investigador.

"Os números indicam que estamos em crescimento exponencial." Um aumento que não é limitado a uma região ou faixa etária, é, em vez disso, generalizado, sublinha Carlos Antunes, que também se apressa a esclarecer: "Continuamos numa fase pandémica, epidémica, e não endémica."

Apesar de o ritmo de infeções não ter o impacto na letalidade que anteriormente apresentou, pode ter efeitos nefastos nos recursos escassos da saúde pública. Para evitar esta realidade, devem ser adotadas "medidas ligeiras, que complementam o impacto que a vacinação teve e tem, de forma a reduzir primeiro a velocidade, o ritmo em que os casos estão a aumentar", para "obrigar a estabilizar, e, depois, consequentemente começar a diminuir" a propagação, diz Carlos Antunes.

O Governo discute nesta sexta-feira o cenário pandémico atual com os peritos, de forma a ponderar o reforço de medidas.

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