Pandemia põe em risco meta europeia para rastreios oncológicos até 2025

De acordo com o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, há atrasos de 200 mil convites por ano no cancro do colo do útero e 900 mil convites no cancro do cólon e reto.

Em troca de verbas do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), Portugal terá de chegar aos 90% da população alvo dos rastreios ao cancro em 2025, um trabalho "difícil", sobretudo devido ao atraso que resulta da pandemia da Covid-19.

Os dados revelados pela equipa do programa nacional para as doenças oncológicas mostram que, devido à Covid-19, houve muito menos rastreios e mesmo quando foram chamadas, as pessoas também compareceram menos.

Donzilia Brito, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, mostra que em 2020 o número de mulheres que fizeram teste ao cancro da mama caiu para metade porque as "unidades móveis de rastreio estiveram encerradas durante cerca de seis meses" e, mesmo no regresso do programa "na região Norte por questões administrativas", as unidades estiveram encerradas durante "mais seis meses".

Nos rastreios que dependem do médico de família, como os que são feitos ao cancro do colo do útero, o cenário não melhora. Firmino Machado, médico de saúde pública, afirma que "em 2019, por cada duas mulheres, aproximadamente uma delas estava a ser convidada e este valor diminuiu, em relação a 2020, em cerca de 22%". Muitos dos médicos faltaram porque foram chamados "para o acompanhamento das doenças respiratórias, durante a pandemia".

Também aqui Portugal conta com verbas do PRR, mas para isso compromete-se a rastrear 90% da população alvo até 2025, uma tarefa enorme, reconhece José Dinis, diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas.

"No rastreio do cancro do colo do útero, estima-se um défice de cerca de 200 mil convites por ano. será necessário explorar mecanismos tradicionais para garantir o sucesso em 2025. No rastreio do cancro do cólon e reto, estima-se um défice de cerca de 900 mil convites por ano. Está maioritariamente implementado na região Norte, pelo que é aconselhável reproduzir em todo o território a estratégia da Administração Regional de Saúde do Norte, para garantirmos os objetivos europeus", explica José Dinis.

As dificuldades para atingir a meta da União Europeia para 2025 são o atraso nos diagnósticos ao longo dos últimos dois anos de pandemia e quanto isso irá custar aos doentes e aos cuidados de saúde.

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