Para trás ficou "um povo herói". Lágrimas, abraços e o futuro em suspenso

Depois de uma "viagem longa", os repatriados da Ucrânia não pensam no regresso ao país, mas sim no "alívio" pela fuga da guerra.

Eram 23h07, três minutos antes da hora prevista, e o voo da TAP desde a Roménia aterra em Lisboa. Abordo estavam 38 portugueses e luso-ucranianos, que após uma viagem de carro desde a Ucrânia até Bucareste, que durou vários dias, chegavam ao conforto de Lisboa, longe da guerra. Foram recebidos com palmas por quem os esperava, e as lágrimas foram sinal de alívio.

No avião seguiam os treinadores de futebol Paulo Fonseca e Edgar Cardoso, apanhados pela invasão russa em Kiev, que têm agora, como muitos outros, o futuro em suspenso, mas encontram em Portugal um abrigo junto da família.

Os repatriados foram recebidos pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o primeiro a colocar o pé fora do avião foi Paulo Fonseca, acompanhado pela mulher e pelo filho, que são ucraniano e estavam a passar férias na capital do país.

Em conversa com os jornalistas, o treinador de futebol mostrou-se "aliviado", mas reconheceu que, ao mesmo tempo, "tem pena de deixar para trás um povo que está a lutar de uma forma heroica".

"O que se está a passar na Ucrânia é único. Vai ser difícil para aquele povo, mas acho que eles já ganharam esta guerra", acrescentou, não colocando de parte regressar ao país.

Sobre a viagem, Paulo Fonseca admite que "foi longa", com sentimento de perigo, e "filas enormes, sem gasolina e comida nas estações de serviço".

Depois dos abraços e da receção da família, Edgar Cardoso, responsável pela formação do Shakhtar Donetsk, explicou aos jornalistas que tinha comparado bilhete de voo para as 10h00 de quinta-feira, mas já não foi a tempo.

"Disseram-me que alguma coisa de estranho se passava no espaço aéreo da Ucrânia, porque não havia aviões a partir das 02h00. Já não dormi e assisti às primeiras explosões", lamenta.

Questionado se o regresso ao país é uma possibilidade, Edgar Cardoso admite que vai parar para pensar, "mas não se vê a voltar tão rapidamente".

"É difícil responder a isso. As pessoas e o clube são fantásticos", afirma.

No aeroporto, à espera dos viajantes, estavam o SEF, o Alto Comissariado para os Refugiados e a Segurança Social para prestar apoio a quem necessitasse, num trabalho coordenado pelo Governo.

Augusto Santos Silva garantiu que o país está de braços abertos para receber ucranianos que procurem em Portugal um porto seguro, e explicou que "há várias razões para que seja relativamente simples integrar os ucranianos".

Além de Portugal ter uma comunidade de ucranianos "bem integrados e a contribuir para a economia", o Governo "tem recebido telefonemas e contactos de empresas a oferecer trabalho e alojamento" a repatriados.

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