PS critica afirmações "falsas" de Sindicato dos Médicos sobre surto de Reguengos após reação de Costa

Vice-presidente do grupo parlamentar socialista para a área da saúde criticou o Sindicato Independente dos Médicos que afirmou que os médicos do SNS "não são médicos de lares".

O PS considerou este domingo "falsas" e "indecorosas" as afirmações do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), lembrando que foi emitido um despacho a determinar o seguimento clínico do doente com Covid-19 que habite em lares.

"O PS repudia totalmente o comunicado do SIM porque é feito em termos indecorosos e consideramo-los falsos. O SIM sabe que foi emitido um despacho do gabinete da ministra da Saúde que determina que o seguimento clínico do doente da Covid-19 que habite estabelecimento residencial para pessoas idosas, e cuja situação clínica não exija internamento hospitalar, não pode estar alheado da prestação de cuidados de saúde", disse à agência Lusa a deputada socialista Hortense Martins.

A vice-presidente do grupo parlamentar do PS para a área da saúde criticou o SIM, que em comunicado divulgado este domingo começa por esclarecer que os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) "não são médicos de lares" e que a determinação da Administração Regional de Saúde do Alentejo em "alocar ao lar" em questão equipas de médicos estava "ferida de ilegalidade face às convenções coletivas de trabalho".

"No que se refere aos médicos das Unidades de Saúde Familiar, a própria Portaria n.º 1368/2007, de 18 de outubro, estabelece explicitamente que está excluída a prestação de cuidados de saúde em lares, casas de repouso, IPSS, e outros locais semelhantes (tabela II - núcleo base de serviços clínicos)", acrescenta o SIM, dizendo que mesmo assim médicos da Unidade de Saúde Familiar Remo foram ao lar após o diagnóstico do primeiro caso.

Mas contrariando estas afirmações, a deputada socialista frisou, à Lusa, que "o SIM sabe que o doente com Covid-19 que habite estabelecimento residencial para pessoas idosas tem o direito a ser acompanhado diariamente pelos profissionais de saúde dos ACeS [Agrupamentos de Centros de Saúde] da respetiva área de intervenção em articulação com o hospital da respetiva área de referência".

Estas considerações do Sindicado Independente dos Médicos surgiram depois de começar a circular nas redes sociais um vídeo que contém uma conversa informal de António Costa com jornalistas do Expresso, após uma entrevista publicada no sábado. Nesta conversa, o primeiro-ministro critica a atuação dos médicos no surto de Reguengos de Monsaraz.

CDS e Chega foram os primeiros partidos a reagir a estas declarações de Costa e criticaram as palavras do governante. O líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, disse que os médicos quando encabeçaram a luta conta a Covid-19 "dia e noite, correndo risco de vida e permitindo a António Costa alavancar a popularidade à custa do seu esforço", esses médicos eram os heróis do país.

"Quando começaram a apontar claros indícios de falhas do Estado no tratamento de doentes, nomeadamente os mais idosos, passaram a ser cobardes, a não ter competência para elaborar relatórios e a serem criticados por terem opinião nas televisões", diz o líder centrista, concluindo que o primeiro-ministro "deve retratar-se publicamente e retirar imediatamente o ataque feroz que desferiu à classe profissional".

Já num comunicado assinado pela direção nacional o Chega, que divulgou o vídeo no YouTube, fala-se de "absoluta falta de decência, tolerância democrática e desrespeito por uma das classes que mais tem sido afetada no âmbito da pandemia de Covid-19".

Perante toda esta polémica, o Expresso, a quem o primeiro-ministro deu a entrevista em que foram filmadas as declarações, já repudiou a divulgação do vídeo, numa nota da direção. "Os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve com o Expresso", refere a nota, acrescentando que o jornal "desencadeará, de imediato, os procedimentos internos e externos para apurar o que aconteceu e os responsáveis pelo sucedido".

O jornal explica em comunicado que o que foi divulgado nas redes sociais foi "uma gravação amadora de um ecrã de computador, que reproduz uma recolha de imagens de uma conversa off the record, privada, do primeiro-ministro com jornalistas".

O surto na cidade alentejana provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar, e morreram 18 pessoas, 16 delas utentes do lar. A Procuradoria-Geral da República instaurou um inquérito. Um relatório da Ordem dos Médicos aponta para o incumprimento das orientações da Direção-Geral da Saúde.

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