Partos feitos por médicos de família? "Já só falta ver porcos a voar, neste país tudo pode acontecer"

Luís Graça, antigo presidente do Colégio de Obstetrícia da Ordem dos Médicos, considera um "disparate" e uma "ideia peregrina" a intenção da administração do Hospital de Cascais de recorrer a uma empresa de trabalho temporário para contratar médicos de Medicina Geral e Familiar para substituir cinco obstetras que saíram recentemente.

Já só falta ver porcos a voar. É este o desabafo de um antigo presidente do Colégio de Obstetrícia da Ordem dos Médicos sobre a hipótese de o hospital de Cascais substituir especialistas dessa área por médicos de medicina geral.

Luís Graça não vê justificação no "disparate" que "não faz o menor sentido". De acordo com o Sindicato dos Médicos do Sul, a administração dessa unidade de saúde de Cascais pretende substituir cinco obstetras que deixaram de trabalhar no hospital por médicos de família que ficarão de serviço nas urgências. Luís Graça afirma que essa é uma ideia sem sentido e que merecerá a resistência da Ordem dos Médicos. "A Ordem nem pode aceitar uma coisa destas: que médicos especialistas sejam substituídos por médicos de clínica geral", garante o clínico.

"A obstetrícia e a ginecologia são cada vez mais especialidades especiais, com técnicas diversificadas e que é necessário conhecer. Consequentemente, os médicos de clínica geral não são capazes de fazer isso."

O antigo presidente do Colégio de Obstetrícia da Ordem dos Médicos admite que não compreende qual poderá ser o objetivo dessa substituição. "Resta saber para o que contratariam médicos de clínica geral. Para, em vez de terem enfermeiros a fazer o primeiro atendimento, terem médicos?"

Para Luís Graça, trata-se de uma "ideia peregrina", que espera que não avance. "Já só falta ver porcos a voar. Neste país tudo pode acontecer."

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