Passos "muito importantes". Coordenador nacional de saúde mental aplaude palavras de Marcelo

O Presidente da República considera que a saúde mental é um dos desafios a que será necessário responder em 2022. Miguel Xavier, coordenador nacional do plano de saúde mental, espera que, "daqui a três ou quatro anos", o panorama esteja "substancialmente diferente" em Portugal.

O coordenador nacional do plano de saúde mental garante que há investimento e apoio político à saúde mental em Portugal, mas é preciso que este desafio não seja esquecido.

Em declarações à TSF, Miguel Xavier comenta com satisfação as palavras do Presidente da República, que escreve, esta quinta-feira, um artigo no jornal Público, defendendo que a saúde mental deixe de ser o "irmão pobre" da saúde em Portugal. O chefe de Estado considera que este é um dos inúmeros desafios a que será preciso responder em 2022.

"Há uma mudança enorme em curso na saúde mental que vai chegar aos portugueses e eu acho que as palavras do Presidente da República vêm reforçar muito este movimento, que eu acho que é merecido tanto pelos doentes, como pelos profissionais, que há muito tempo também o solicitam", afirma.

Para Miguel Xavier, as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa são "cruciais" para que "não se retroceda depois de duas ou três décadas de atraso".

"Neste sentido, fiquei muitíssimo contente com as palavras do Presidente da República. Ainda ontem foram assinados quatro contratos para novas unidades de internamento em hospitais gerais que vão permitir uma maior proximidade aos cidadãos", adianta, referindo que, enquanto coordenador nacional de saúde mental, espera "que o panorama da saúde mental em Portugal esteja substancialmente diferente daqui a três ou quatro anos".

Miguel Xavier garante que há uma mudança na forma como o país encara a saúde mental e considera que estão a ser dados passos "muito importantes".

"O investimento que vai ser feito é muito importante, mas não responde a todas as necessidades. Algumas necessidades já estão também previstas para os fundos 20/30, porque o dinheiro do PRR não vai servir para todas as necessidades", diz. Contudo, o coordenador nacional de saúde mental argumenta que "iniciou-se um caminho sério, bem estruturado, com investimento e apoio político".

"Tal como disse o Presidente da República, é preciso que este desafio não seja esquecido e é preciso que este apoio seja mantido para que a saúde mental da população portuguesa possa vir a melhorar", remata.

"E se for necessária uma intervenção mais prolongada?" Respostas dos centros de saúde são fundamentais

O bastonário da Ordem dos Psicológicos defende que é importante que os dinheiros da bazuca europeia cheguem à saúde mental, mas ainda faltam especialistas nos cuidados de saúde primários.

Também ouvido pela TSF, Francisco Miranda Rodrigues reconhece que as "decisões políticas levaram a que o PRR contemple um investimento para aquelas respostas aos mais vulneráveis e situações mais graves, que é o maior investimento de sempre relativamente à saúde mental".

"Foi uma coisa positiva ter-se criado aquela resposta do serviço de aconselhamento psicológico da linha SNS 24, que dá respostas nas intervenções muito breves, nomeadamente ao nível da ansiedade mais aguda", refere.

"Mas e se, como acontece na maior parte das situações, for necessário uma intervenção um pouquinho mais prolongada? Como conseguimos fazer isso?", questiona, acrescentando que são necessárias respostas por parte dos centros de saúde.

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