Pavilhão do Lis, onde os atletas já não são levados ao colo

Orgulha-se de ser o primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país. Foi inaugurado este mês de Março, em Cortes, no concelho de Leiria.

É um pavilhão "rasteiro", nas palavras de João Jerónimo, capitão da selecção de andebol em cadeira de rodas.

O atleta não esconde o "orgulho leiriense" por treinar no Pavilhão de Lis, o primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país. O espaço foi desenhado de raiz a pensar em quem tem mobilidade reduzida. "Não tem sequer um degrau", elogia João Jerónimo, "a não ser nas bancadas", mas aqui, todos os lugares são rebatíveis, para que as cadeiras de rodas possam caber. No campo, não há postes para segurar os cestos de basquetebol e nos balneários, as cabinas individualizadas permitem uma utilização independente, sem que seja necessário passar da cadeira de rodas para uma cadeira de plástico para o duche. Os cacifos estão num nível mais baixo, acessíveis para quem está sentado numa cadeira de rodas e até a altura dos lavatórios é regulável, para se ajustarem por exemplo, a um paraplégico, explica Manuel Sousa, vice-presidente da delegação de Leiria da Associação Portuguesa de Deficientes. Antigo atleta, Manuel Sousa assume que ainda existem "preconceitos, até das próprias famílias. Alguma vergonha" na prática da actividade desportiva por quem tem algum tipo de deficiência. Em alguns pavilhões, os atletas têm de ser literalmente, "levados ao colo".

João Jerónimo confessa que já sentiu o problema "no pêlo", explicando que além da falta de rampas e acessibilidades, sozinhos "não conseguimos transportar a carga, passar das cadeiras de jogo para as cadeiras do dia-a-dia". Daí que o pavilhão inclusivo represente um "boost de energia", por ter sido pensado "aos nossos olhos e não aos olhos dos outros". No Pavilhão do Lis, mesmo quem tem mobilidade reduzida pode movimentar-se sem auxílio e como João costuma dizer "quem não gosta de tomar banho sozinho?"

O primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país, com um investimento de 2,2 milhões de euros, foi financiado por fundos comunitários, revela o vereador do desporto da Câmara de Leiria, Carlos Palheira, que espera um "enorme retorno" ao potenciar a utilização do espaço por várias equipas das mais diversas modalidades.

João Jerónimo também deseja que o Pavilhão do Lis seja um exemplo, para que "outros comecem a aparecer". O capitão da selecção nacional de andebol em cadeira de rodas realça que todos são necessários numa equipa: aqueles que querem competir e chegar as selecções nacionais, os que querem apenas conviver, os "palhacinhos", porque também é preciso "fazer rir". E no final do jogo, "a maior vitória não são as medalhas nem os títulos nacionais, mas as atitudes das pessoas na vida. Saem daqui a conseguir fazer uma passagem (de uma cadeira para outra), ter o seu próprio carro, tirar a carta de condução, viverem sozinhos, arranjarem o seu trabalho. Isso, para nós, são as maiores vitórias".

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