Pedidos de apoio de mulheres vítimas de violência aumentam nos últimos dois anos

O Observatório das Mulheres Assassinadas contabilizou, de 1 de janeiro a 15 de novembro deste ano, 22 homicídios e 33 tentativas de homicídio.

A organização Feministas em Movimento (FEM) tem recebido mais pedidos de apoio de mulheres vítimas de violência desde 2020. O balanço dos últimos dois anos é feito por Elisabete Brasil, presidente da organização não-governamental. Em declarações à TSF, a FEM garante que aumentaram os pedidos de apoio psicológico e jurídico.

Um estudo tornado público esta semana, pelo Jornal de Notícias, revela que as crianças que presenciam violência doméstica em casa reprovam cinco vezes mais na escola. Sobre o impacto da violência doméstica nos descendentes, Elisabate Brasil garante que a FEM tem pensados novos projetos com enfoque na intervenção comunitária sobre os mais novos. "Temos a decorrer um projeto que está a trabalhar com as escolas. É importante ouvi-los e perceber o que é que eles entendem [da violência doméstica]."

Elisabete Brasil acrescenta que "uma em cada três mulheres é ou foi vítima de violência nas suas relações de intimidade".

A Presidente da FEM considera também que em Portugal se faz uma prevenção primária dos casos "muito frágil" e apresenta como alternativa analisar as "causas da tipologia criminal".

Dados do Observatório das Mulheres Assassinada, integrado na União de Mulheres Alternativa e Resposta, contabilizam, de 1 de janeiro a 15 de novembro de 2022, 22 homicídios e 33 tentativas de homicídio contra mulheres.

A PSP deteve este ano 802 pessoas por violência doméstica, mais 35% face à média dos últimos cinco, e registou 13.285 queixas, um aumento de 6,3%, tendo ainda apreendido 279 armas relacionadas com este crime.

Os dados da Polícia de Segurança Pública são divulgados por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se assinala esta sexta-feira.

Segundo a PSP, 13.285 queixas pelo crime de violência doméstica deram entrada naquela polícia desde o início do ano, um aumento de 6,3% comparado com a média dos cinco anos anteriores.

A PSP precisa que a violência psicológica é a mais denunciada, tendo representado no ano passado 96% das queixas, seguida da violência física, e a maioria das vítimas (80%) são mulheres.

A PSP avança igualmente que, até ao fim de outubro, foram apreendidas 279 armas, 115 das quais brancas e 111 de fogo, esclarecendo que estas armas, ainda que não tenham sido empregues na concretização do crime, foram referenciadas na avaliação de risco realizada pela polícia e cautelarmente apreendidas.

Em comunicado, a PSP refere que "os comportamentos violentos, físicos, verbais ou psicológicos, que consubstanciam o crime de violência doméstica merecem constante atenção por parte da Polícia de Segurança Pública, numa lógica de prevenção, sinalização precoce, proteção das vítimas e permanente trabalho em rede com outras entidades relevantes nesta temática".

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