Pessoas em situação de sem-abrigo aumentaram em 157% em quatro anos

Em Portugal, o número de pessoas em situação de sem-abrigo aumentou mais de 150% em quatro anos. Desde 2009 existe no país uma estratégia nacional para a integração, e o Presidente da República estabeleceu 2023 como o ano limite para erradicar o problema social.

Há cada vez mais pessoas a viver na rua. As grandes cidades reúnem as maiores concentrações de pessoas em situação de sem-abrigo.

Portugal está no topo da lista na tendência de aumento das pessoas sem casa. Entre 2014 e 2018, a subida foi de 157%. Só na Islândia os números são mais elevados, com um aumento de 168%, mas num período mais alargado, entre 2009 e 2017.

A OCDE sublinha que é muito difícil medir e comparar os dados, já que a definição de pessoa sem-abrigo é diferente de país para país.

O estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico conclui que a falta de casa aumentou em cerca de um terço dos 35 países analisados. Embora os homens continuem a perfazer a maioria, há cada vez mais jovens, famílias e idosos entre os que vivem na rua ou em centros de abrigo temporários.

Há fatores estruturais (como o aumento das rendas, bem acima da atualização dos salários), fatores institucionais ou de falhas no sistema (acesso à saúde ou à justiça) e circunstâncias individuais (crises familiares, violência doméstica ou doenças mentais) por detrás do fenómeno.

Apesar do aumento significativo em território nacional, as pessoas sem-abrigo representavam apenas 0,03% da população, nas contas da OCDE, ou, em termos absolutos, 3400 pessoas, no final de 2018.

Henrique Joaquim, gestor da Estratégia Nacional da Integração da Pessoa Sem-Abrigo, confessa à TSF estar preocupado com estes números, mas frisa: "É uma referência que temos que ter em consideração, mas o nosso foco são as pessoas."

"Enquanto houver pessoas na rua nós estamos muito preocupados, mas também estamos a agir, quer ao nível do Estado central, quer ao nível do Estado local, quer envolvendo as próprias organizações da sociedade civil", fundamenta.

Na perspetiva do gestor da estratégia nacional de integração, "esta tem de ser uma causa de todos, não apenas de uma área governativa".

Já sobre os avanços conseguidos até ao momento no âmbito deste plano, Henrique Joaquim esclarece: "De momento estamos a atualizar este diagnóstico com as estruturas locais. Estamos também a encerrar um relatório de caracterização que sairá em breve."

É intuito do programa também investir mais no "contacto direto com as autarquias, solicitando-lhes dados mais atualizados", assinala.

* Atualizado às 10h18

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