Plano de retoma não avançou. Ministério da Saúde garante que não há atrasos nas cirurgias oncológicas

O Ministério da Saúde garante agora que não há atrasos nas cirurgias oncológicas, que ficaram suspensas por causa da pandemia.

Há seis meses o gabinete de Marta Temido anunciava que estava a preparar um plano de retoma da atividade cirúrgica na área oncológica para recuperar as intervenções que não se realizaram na sequência da suspensão da atividade não urgente e prioritária. Numa resposta enviada à TSF, o Governo diz que não foi necessário avançar com este plano, porque a resposta das unidades de saúde tem sido eficaz.

No primeiro semestre do ano foram operados 4377 utentes da lista de inscritos em cirurgia oncológica, o que representa 75% do total. De acordo com dados do Programa Nacional das Doenças Oncológicas, dos casos acima dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos, "uma parte significativa tratava-se de situações menos urgentes como a patologia da pele não-melanoma e patologia da próstata".

Em dezembro de 2020 registou-se uma diminuição de 3%, face a 2019, do número de doentes operados com tumores maligno, sendo que esta redução é inferior à registada para a lista de inscritos para cirurgia geral (-18,2%), o que - afirma o Governo - "demonstra que a área oncológica foi devidamente acautelada na priorização da atividade cirúrgica em 2020".

O Ministério da Saúde revela que os dados de junho mostram uma tendência semelhante aos de dezembro, dos 6353 casos em lista de espera por uma cirurgia, 23% estavam acima do tempo máximo de resposta.

O gabinete de Marta Temido, numa resposta escrita enviada à TSF, garante que a resposta das unidades de saúde tem sido eficaz. Não foi necessário avançar com um plano para recuperar cirurgias oncológicas em atraso, porque, através do Programa Nacional Prioritário para as Doenças Oncológicas e do trabalho em rede entre os IPO e os hospitais gerais, têm sido resolvidas todas as situações mais inadiáveis.

O Ministério da Saúde explica ainda que entre os utentes inscritos para cirurgia com identificação de neoplasia maligna a dezembro de 2020, não havia uma grande concentração de casos em espera em nenhum hospital do Serviço Nacional de Saúde.

O Ministério da Saúde garante que o Programa Nacional Prioritário para as Doenças Oncológicas mantém-se a avaliar a atividade nesta área.

Contactado pela TSF, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro diz apenas que "não tem dados sobre as cirurgias". Vítor Rodrigues afirma que "têm que confiar nas informações agregadas que lhes vão dando".

Já o presidente do Núcleo do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro diz que os dados do Ministério da Saúde, de que não há cirurgias oncológicas em atraso, são uma meia verdade. Vítor Veloso afirma que os doentes continuam a não conseguir ter acesso aos serviços de saúde primários.

"É uma meia verdade na medida em que sabemos que a acessibilidade em relação às doenças crónicas, nomeadamente ao cancro, continua extremamente difícil até porque os médicos de família continuam todos neste momento a tratar de problemas da vacinação, relacionados com a pandemia, e consequentemente a acessibilidade é muito difícil. O que poderá acontecer é que, efetivamente, as pessoas, mais uma vez, estejam com dificuldades em aceder diretamente aos seus centros de saúde. Poderão ter mais ou menos em dia os que estavam inscritos nos hospitais, mas não conseguiram, de maneira nenhuma, consultar nem diagnosticar os casos que vão aos centros de saúde", explicou à TSF Vítor Veloso.

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